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Campeão vai encerrar o jejum de taças e subir de patamar

Alemães não vencem uma Copa há 24 anos; os argentinos, há 28. Se europeus vencerem, alcançam a Itália. Se título for sul-americano, Copa terá um novo tri

Por Giancarlo Lepiani, do Rio de Janeiro - 13 jul 2014, 11h40

A balança também vai mudar na briga entre os continentes que dominam o futebol. Antes da final, a Europa conta dez títulos mundiais, contra nove dos sul-americanos

A campeã da Copa do Mundo de 2014 festejará o fim de uma longa agonia. Tanto os alemães como os argentinos amargam muitos anos sem títulos – e não só de Mundiais. Para a representante europeia na decisão deste domingo, às 16 horas (de Brasília), no Maracanã, trata-se de uma chance de ouro para reconquistar a Taça Fifa depois de 24 anos (a última conquista veio em 1990, na Itália). Os alemães não levantam nenhum troféu desde 1996, quando venceram a Eurocopa disputada na Inglaterra. A fome dos argentinos por títulos é ainda maior. A atual geração, comandada por Lionel Messi, conquistou duas medalhas olímpicas, em 2004 e 2008. A seleção adulta, entretanto, já conta nada menos de 21 anos sem nenhum troféu. Suas últimas conquistas foram a Copa das Confederações de 1992 e a Copa América de 1993. Em Mundiais, a Argentina não alcança a taça há 28 anos, desde o México-1986. A bicampeã mundial, aliás, não passava das quartas desde 1990. Naquele ano, foi justamente a Argentina a vítima dos alemães na final.

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Os anos sem títulos aproximam as finalistas deste domingo, mas as trajetórias das seleções durante esses períodos de seca� foram bem diferentes. Os alemães vêm de muitas campanhas admiráveis, ainda que com desfechos decepcionantes. Nas últimas três Copas, a tricampeã mundial chegou a ficar próxima do tetra. Foi finalista em 2002 (perdeu a taça para o Brasil), terceira colocada em 2006 (caiu na semifinal diante da Itália e ganhou o bronze contra Portugal) e terceira de novo em 2010 (perdeu para a Espanha e derrotou o Uruguai pelo prêmio de consolação). Além disso, foi vice-campeã na Eurocopa de 2008 e semifinalista na de 2008. Para os alemães, portanto, a pressão neste domingo é grande – a torcida não quer nem pensar na possibilidade de amargar mais um vice, especialmente por contar com uma das gerações mais talentosas da história de seu futebol. Os argentinos, por outro lado, vêm de uma fase de vacas magras, em que perderam duas finais de Copa América para o Brasil (2004 e 2007) e caíram nas quartas numa edição realizada em casa (em 2011, eliminada pelo Uruguai). Nesse período, a Argentina ainda teve de engolir o vice na Copa das Confederações de 2005, goleada pelo Brasil na decisão, 4 a 1.

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Quem superar os traumas do passado, derrotar sua maior rival em Copas e subir à tribuna de honra do Maracanã para buscar a taça fará seu país chegar a um novo patamar na história da competição. A tricampeã Alemanha, recordista no número de aparições na semifinal (treze) e na decisão (oito), pode alcançar a Itália, deixando a disputa pela supremacia nas Copas ainda mais acirrada. A elite dos Mundiais teria os brasileiros com cinco títulos e alemães e italianos com quatro cada. Em caso de vitória argentina no Maracanã, a Alemanha passa a dividir o posto de tricampeã com os rivais sul-americanos, deixando o Uruguai sozinho como bicampeão. A balança também vai mudar na briga entre os continentes que dominam o futebol. Depois de dezenove edições, a Europa leva vantagem, dez títulos contra nove das seleções da América do Sul. Um triunfo alemão amplia a margem dos europeus, mas o tricampeonato argentino deixa tudo igual. A Alemanha também tem a chance de se transformar na primeira seleção europeia a erguer a taça na América do Sul – nas outras quatro edições disputadas no continente, o vencedor sempre foi da própria região (duas vezes o Uruguai, uma vez a Argentina e outra o Brasil).

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