Campeão olímpico, Lucas Pinheiro revela suas próximas metas: ‘Escrever história pelo Brasil’
Esquiador conquistou primeira medalha do Brasil nas Olimpíadas de Inverno em Milano-Cortina
Lucas Pinheiro Braathen se prepara para a próxima temporada de competições de esqui em busca de recolocar o Brasil no topo do pódio. Medalhista de ouro na Olimpíada de Inverno em Milano-Cortina, o atleta está de olho nos próximos campeonatos para alcançar seus objetivos de título mundial e geral da Copa do Mundo de esqui.
Em coletiva de imprensa nesta quarta, 26, Lucas conversou com jornalistas sobre os próximos passos na sua preparação para a temporada. Nascido na Noruega, o atleta representa o Brasil desde março de 2024 e morou no Rio de Janeiro na pré-temporada, entre abril e agosto.
“Eu treinava utilizando as facilidades do Comitê Olímpico do Brasil (COB) na Barra da Tijuca. Foi uma experiência maravilhosa, eles cuidaram muito bem de mim, eu não sofria de dor e respondia muito bem aos treinamentos”, disse Lucas.
Mesmo longe do frio das montanhas e da neve, o esquiador aproveitou a cidade maravilhosa: “O Rio oferece muitas opções. Na pré-temporada, eu pedalo, corro, surfo, faço academia, ando de patins e danço em estúdios de dança. Busco crescimento em muitos lugares fora das pistas.”
Depois da passagem pelo Rio de Janeiro, Lucas iniciou uma série de acampamentos em países vizinhos sul-americanos com neve. A primeira parada foi em Ushuaia, na Argentina, onde encontrou “condições ótimas” e enfrentou condições similares das competições que disputará na Europa e na América do Norte.
“Em Ushuaia, estamos perto do mar, então é muito úmido. Isso tem um efeito bem particular na neve: ela fica gelada, úmida e escorregadia. Isso é muito relevante para nós, pois na Copa do Mundo os organizadores preparam as pistas jogando bastante água para congelar a neve. Além disso, em Ushuaia quase não bate sol, então é muito escuro e difícil para o visual, algo que sofremos muito nas competições”, destacou Lucas.
Outro destino do esquiador será o Chile, com condições de pista e exigências físicas mais intensas nas montanhas com “mais de 3.000 metros de altitude, com neve completamente diferente, mais seca, e sol batendo diretamente na montanha”.
“No esqui alpino, chamamos essa neve seca do Chile de ‘agressiva’, pois ela responde muito rápido. Essa variação de terrenos e climas na pré-temporada é a nossa estratégia de preparação”, completou.
Planejamento da temporada
A temporada de competições começa no fim de outubro na Áustria, com uma etapa da Copa do Mundo. O circuito faz uma pausa em fevereiro quando acontece o Campeonato Mundial em Crans Montana, na Suíça.
“Uma medalha no campeonato mundial é um dos meus maiores objetivos e a próxima oportunidade para eu escrever história pelo Brasil”, afirmou Lucas.
Depois do mundial, as etapas da Copa do Mundo retornam e vão até março, com a grande final em Idaho, nos Estados Unidos. Na última temporada, Lucas ficou na segunda colocação geral da Copa, e chegar a primeira colocação também está na sua lista de objetivos: “Eu já consegui levar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos para casa e já fui campeão da Copa do Mundo em duas disciplinas individuais, mas agora falta o título geral.”
Principal obstáculo de Lucas no caminho é suíço Marco Odermatt, campeão geral da Copa do Mundo de esqui nas últimas cinco temporadas.
“Para entrar nessa disputa direta com ele, eu preciso começar a somar pontos em uma terceira disciplina”, explica o brasileiro. “Como minhas modalidades principais são Slalom e Slalom Gigante, escolhemos treinar no Chile porque as pistas lá são maiores e excelentes para a preparação do Super G, que será a minha terceira disciplina nesta temporada.”
Ciclo olímpico
Primeiro brasileiro e sul-americano medalhista nas Olimpíadas de Inverno, Lucas Pinheiro também está de olho na próxima edição da competição que será realizada na França em 2030, mas mesmo com a nova chancela e medalha dourada na coleção, o atleta mantém o foco na atual temporada.
“Uma das coisas mais importantes é estruturar o longo prazo, mas manter o foco 100% no presente. Eu não fico focado diretamente nos Jogos Olímpicos agora. Eu foco no atleta que sou hoje e no que quero me tornar amanhã. Estou trabalhando no presente para chegar nos Alpes Franceses em 2030 e ganhar mais ouro pelo Brasil.”
‘Essência’
Apesar do cenário esportivo de pressão, Lucas não perde a positividade: “O maior objetivo que tenho na vida é ser feliz, viver seguindo meus sonhos. Se eu consigo seguir minha intuição e confiar em quem eu sou, tenho a potência de compartilhar essa alegria com as pessoas.”
“Para nós atletas, é muito importante achar um propósito que vá além de resultados, troféus e medalhas. Eu sempre soube que o propósito está na essência do dia a dia. Um campeão não se torna campeão apenas no dia da competição, ele é um campeão todos os dias.”
“Eu sempre quis representar as crianças que se sentiam um pouco fora da caixa, fora da curva. Na temporada passada, eu fiz ‘nevar’ no Brasil. Agora é a hora de levar o Brasil para o mundo e representar a nossa diversidade”, concluiu Lucas.






