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‘Calcio e politica? Non si discute’, diz Felipão em Salvador

Na véspera da partida contra a Itália, o técnico pede foco apenas no futebol - mas se mostra empolgado com a nova onda de apoio popular à sua seleção

Por Giancarlo Lepiani, de Salvador 21 jun 2013, 20h23

“Todos queremos o melhor. Precisamos trabalhar juntos para que, daqui a um, dois ou cinco anos, a gente possa mudar. Mas não é em um ou dois dias que tudo vai se resolver”

Para Luiz Felipe Scolari, é hora de voltar a pensar apenas em futebol – e, na véspera de um jogo decisivo contra a Itália, na Arena Fonte Nova, em Salvador, o técnico da seleção brasileira deixou claro que a ligação entre a Copa das Confederações e os protestos nas ruas do país, se depender dele, se limitará à nova onda de apoio popular à sua equipe, com manifestações cada vez mais explícitas de patriotismo no estádio. Em entrevista coletiva no palco da partida, nesta sexta-feira, Felipão – que havia comentado abertamente as demonstrações populares em suas últimas conversas com os jornalistas – desta vez evitou se alongar no assunto. Há relatos de que, na concentração, o treinador já pediu aos atletas que mantivessem o foco no torneio, tomando cuidado para não deixar que a situação do país afetasse o desempenho do time em campo. Scolari voltou a defender que os jogadores têm direito de falar sobre qualquer coisa, mas mostrou clara preocupação com a parte psicológica de seus comandados.

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“Eu tenho é que cuidar da minha seleção. Meus jogadores precisam estar concentrados só no jogo. Nosso trabalho é jogar futebol e ganhar os jogos pelo Brasil. Outras áreas são responsabilidade de outras pessoas. É cada um na sua, respeitando o outro”, avisou. Felipão recorreu até ao seu repertório de poliglota na entrevista. “Calcio e politica? Non si discute”, disse, no idioma da seleção que o Brasil enfrenta no sábado, a um jornalista italiano que tentou arrancar do técnico mais alguns comentários sobre o mérito dos protestos. Ele pode não gostar de unir futebol e política, mas aceitou falar do assunto outra vez – agora, entretanto, mostrando certa impaciência com a repetição dos protestos. “Todos queremos nosso país com justiça e com tudo o mais que imaginamos. Os governantes também pensam desta forma, só que às vezes as coisas não evoluem assim. Todos queremos o melhor. Precisamos trabalhar juntos para que, daqui a um, dois ou cinco anos, a gente possa mudar. Mas não é em um ou dois dias que tudo vai se resolver.”

Felipão se classificou como “um otimista” e disse esperar que “todos os visitantes estrangeiros voltem para seus países sabendo que o quadro atual não é normal no Brasil”. “Uma evolução vai acontecer, e nós teremos, no futuro, um país muito melhor. A parte que agrada ao técnico é o apoio reforçado do público à equipe, algo que coincidiu com o crescimento dos protestos. Para o treinador, quando a torcida canta o Hino Nacional a plenos pulmões, o adversário sempre se assusta. “Quando a gente joga na nossa casa, a gente tem de fazer valer a nossa força, a nossa brasilidade. Principalmente quando se joga no Nordeste, é fantástica a forma como eles sentem e vibrem com o Hino Nacional. Tomara que seja assim mais uma vez, e que isso possa transmitir ao mundo uma coisa positiva, mostrar que a gente aqui tem coisas ruins, mas também vive o país com muito ardor”. Sentado num degrau ao lado do palco, o baiano Daniel Alves que falou à imprensa pouco antes, esfregava as mãos e dizia a Hernanes: “Você vai ver, rapaz, o pessoal vai começar a cantar antes mesmo que o Hino comece a tocar.”

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