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Caixa pede bloqueio de contas da Arena Corinthians

O clube paulista busca efeito suspensivo na cobrança da dívida executada

A Caixa Econômica Federal pediu o bloqueio online das contas da Arena Itaquera S/A, em razão da dívida do financiamento da construção do estádio do Corinthians. O pedido foi feito no dia 23 de setembro, logo depois de o clube não especificar judicialmente como fará o pagamento da dívida processual referente à construção do estádio que sediou a abertura da Copa do Mundo de 2014.

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O juiz Victorio Giuzio Neto, da 24ª Cível Federal de São Paulo, deve se posicionar a respeito da solicitação nos próximos dias. Se ele aprovar o pedido do banco, as contas da Arena Itaquera S/A, empresa sócia do Corinthians e responsável pelo estádio, ficam bloqueadas até atingir o limite da dívida total, de 536 milhões de reais.

O departamento jurídico do Corinthians corre contra o tempo para tentar o efeito suspensivo na cobrança da dívida executada. A intenção do clube é interromper o processo enquanto renegocia o financiamento com a Caixa. A diretoria jurídica do clube e do banco já começaram a conversar sobra a pendência.

O entrave inicial é sobre o parcelamento atrasado dos meses de junho e julho, período que a Arena Corinthians recebeu a Copa América e ficou sem arrecadar – a bilheteria da competição foi para a Conmebol. O presidente do clube, Andrés Sanchez, alega que havia acordo verbal para não pagar por esses meses. A Caixa ignora essa informação.

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, negou que o clube deixou de pagar a dívida ao banco

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, negou que o clube deixou de pagar a dívida ao banco (Gero Rodrigues/Ofotográfico/Folhapress)

O banco reclama no processo que o Corinthians só pagou as parcelas de janeiro e de fevereiro deste ano e iniciou a dívida a partir de março. O clube, porém, diz que há essa divergência pois vinha cumprindo um acerto verbal. Andrés havia acertado no ano passado novo parcelamento da dívida, mas o acordo não foi assinado. No combinado, que teria validade até 2028, o Corinthians pagaria parcelas mensais de 6 milhões de reais, de março a outubro de cada temporada, e 2,5 milhões de reais entre novembro e fevereiro, período em que há um menor número de jogos no calendário do futebol brasileiro.

Outro conflito entre as partes diz respeito ao valor atual da dívida. O clube afirma que deve 470 milhões de reais, enquanto o banco diz que ainda precisa receber 536 milhões. No último dia 17, a Justiça acatou o pedido da Caixa para incluir o nome da Arena Itaquera S/A, que administra o estádio do Corinthians, no cadastro de inadimplentes da Serasa.

O banco emprestou inicialmente 400 milhões de reais ao Corinthians para a construção do estádio em Itaquera. Desde o início do financiamento, em 2014, o clube pagou cerca de 170 milhões, sendo 80 milhões de fevereiro de 2018 até agora.

Na última segunda-feira, 30, Andrés se reuniu com conselheiros do clube no Parque São Jorge para explicar a dívida e prometer um novo acordo com a Caixa.