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Caixa pagará R$ 30 mi ao Corinthians, que rebate críticas

Clube garante que não há interferência política no fechamento do patrocínio

“Não foi o Corinthians que procurou a Caixa, mas sim a Caixa que procurou o Corinthians”, garantiu o presidente Mário Gobbi. Os cartolas do clube disseram que a parceria “não tem pai nem mãe”, negando interferência de Lula ou Dilma

Na segunda-feira, a Caixa Econômica Federal anunciou um lucro recorde de 4,2 bilhões de reais nos primeiros nove meses do ano. Uma gigante no setor de crédito imobiliário – tem reconhecimento instantâneo do consumidor quando se fala em financiamento -, a instituição viu sua participação no mercado chegar a 14,5%, alta de 2,7 pontos porcentuais em apenas um ano. Não é, portanto, uma marca que precise urgentemente aumentar seu reconhecimento, divulgar seu nome ou fortalecer sua posição no setor. Ainda assim, também na segunda-feira, o banco – que é público e vinculado ao Ministério da Fazenda – anunciou um investimento que chama atenção: um contrato de patrocínio até o fim de 2013 com o Corinthians, dono da segunda maior torcida do país. Em ótima fase e a caminho do Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro, o clube paulista é uma vitrine valiosa. Além disso, os concorrentes da Caixa investem no futebol – o Itaú patrocina a seleção, o Santander tem Neymar como garoto-propaganda. Ainda assim, provocou desconforto entre outras equipes o fato de o clube ter anunciado o patrocínio estatal só depois de esgotar todas as possiblidades de conseguir um apoio privado – e só depois de indícios de que a política foi um fator importante no negócio. Com o mercado desaquecido, os rivais São Paulo e Palmeiras tiveram de se contentar com valores menores do que pediam na hora de fechar seus patrocínios – 23 milhões de reais anuais com a Semp Toshiba e 25 milhões de reais com a Kia, respectivamente. Na manhã desta terça, Caixa e Corinthians anunciaram o valor de seu acordo: 30 milhões de reais por ano, bem acima dos adversários.

O fechamento do contrato aconteceu pouco mais de um mês depois que a coluna Radar, de VEJA, divulgou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha assumido a missão de conseguir um patrocínio para seu clube do coração. Lula, que já teve participação direta e decisiva na negociação que culminou com a construção do Itaquerão, futuro estádio corintiano, é um dos corintianos satisfeitos com o anúncio desta terça. Assim como já havia ocorrido com o Vasco – que recebeu a ajuda do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, vascaíno, para conseguir o patrocínio de outra estatal, a Eletrobras -, o Corinthians fechou um negócio que certamente provocará queixas dos rivais. O Flamengo, time de maior torcida do país – e que por muito tempo foi patrocinado pela Petrobras – está fechando o ano sem nenhuma marca estampada na áreas nobres de sua camisa. Depois do Itaquerão, a equipe paulista é vista como beneficiária – mais uma vez – das ligações políticas de seus principais dirigentes. O ex-presidente do clube, Andrés Sanchez, é filiado ao PT e amigo de Lula. Há algumas semanas, os principais dirigentes corintianos foram recebidos pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir o repasse de valores prometidos pelo BNDES à Odebrecht, que realiza as obras do Itaquerão. Os cartolas negam ter pedido patrocínio ao clube durante o encontro. O time estava sem um parceiro fixo havia sete meses.

“Não foi o Corinthians que procurou a Caixa, mas sim a Caixa que procurou o Corinthians”, garantiu o presidente Mário Gobbi em entrevista coletiva realizada nesta terça. Falando em tom exaltado, o cartola se gabou pelo acerto (“é o maior patrocínio do futebol brasileiro, isso não se compra na esquina”) e comentou, indiretamente, as suspeitas sobre a interferência de Lula e de outros petistas na negociação. “Essa parceria não tem pai e nem mãe. A parceria quem conseguiu foi o Corinthians. Não tem varinha mágica. O Corinthians trouxe o parceiro pela força do Corinthians. Que isso fique muito claro.” Ainda que a Caixa tenha sido a responsável pelo início das negociações, e mesmo que o negócio seja positivo para a instituição – o que, pela grande exposição da marca na camisa do clube, é bastante provável – o negócio certamente será alvo de críticas de outros clubes. Ao mesmo tempo em que caçava um novo patrocinador desde o fim de seu contrato com a Hypermarcas, o Corinthians trabalhava em outra frente: a obtenção de um contrato de naming rights para o Itaquerão. Em mais de uma ocasião, procurou a Petrobras para tentar convencer a empresa a emprestar seu nome à futura arena. Por enquanto, a companhia sinaliza não ter interesse no negócio.