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Caixa condiciona apoio a clubes a folha de pagamento

Por Da Redação 12 ago 2013, 13h08

O artilheiro da série B do Campeonato Brasileiro com 15 gols, Bruno Rangel, só leva a marca da Caixa na camisa 9 do Chapecoense porque os quase 5.000 funcionários da prefeitura de Chapecó, no oeste catarinense, recebem os salários pelo banco estatal. Para patrocinar clubes que não estão na elite do futebol brasileiro, a Caixa usa como moeda de troca a folha de pagamento das administrações municipais ou estaduais.

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É por isso que as negociações dos dirigentes dos clubes com os executivos da Caixa incorporaram tanto parlamentares influentes em Brasília quanto prefeitos e governadores dos estados onde estão as sedes dos times. O papel deles era negociar a administração das folhas de pagamentos com o banco.

O prefeito de Chapecó, José Caramori (PSD), disse que um dos requisitos impostos pela Caixa nas negociações com o Chapecoense era gerir a folha de pagamento do município, em torno de 12,6 milhões de reais por mês. Segundo ele, foi firmado um compromisso com o presidente da instituição, Jorge Hereda, para manter a parceria até julho de 2014, período de validade do patrocínio. O presidente do Chapecoense, Sandro Pallaoro, considera natural ser esse um dos critérios para escolher os clubes patrocinados. �

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Baixa inadimplência – Os bancos disputam as folhas de pagamentos de servidores municipais e estaduais pela atratividade de oferecer crédito consignado a uma clientela de bons pagadores. Enquanto os atrasos de mais de 90 dias chegam a 7,2% de todo o crédito oferecido para o público geral, o nível de calote do crédito com desconto na folha é de 2,8% nos empréstimos a servidores públicos e de 5,1% nas operações com trabalhadores da iniciativa privada, de acordo com dados do Banco Central.

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João Augusto Sales, analista de bancos da consultoria Lopes Filho & Associados, estimou que a inadimplência de servidores de prefeituras é um pouco superior à dos beneficiários do INSS (1,7%), a mais baixa entre todas as modalidades. É um bom começo os bancos terem a folha de pagamento também porque a possibilidade de reter essas contas, embora os funcionários tenham a opção de fazer a portabilidade, é muito grande, explicou.

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A Caixa confirmou, em nota, que do ponto de vista de negócios, para avaliação e valoração das propostas, foram considerados, dentre outros critérios, a existência da folha de pagamento do estado ou município no banco. O Banco Central informou, também em nota, que patrocínios proporcionados por instituições financeiras não é tema regulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão do qual participa.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) argumentou que só pode se manifestar sobre denúncias de práticas anticompetitivas em procedimentos administrativos oficialmente instaurados. Segundo o órgão, até o momento, não foi recebida nenhuma denúncia nesse sentido.

(Com Estadão Conteúdo)

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