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Cada vez mais enrolada

A Fifa tenta se afastar do escândalo dos cambistas, mas ingressos em nome da entidade foram encontrados com uma quadrilha

Por Leslie Leitão - 12 jul 2014, 11h48

Desde que a polícia desmontou um esquema internacional de cambistas de ingressos para a Copa do Mundo, a Fifa fez de tudo para dissociar-se do escândalo. A tarefa não é fácil, já que Philippe Blatter, sobrinho do presidente da entidade, Joseph Blatter, tem ligações com a empresa no centro do caso, a Match Services. A companhia vende com exclusividade os pacotes VIP para a Copa, mas, segundo a polícia, repassava ingressos para uma quadrilha de cambistas, que os revendia a preços muito mais altos. Seu diretor-executivo, o inglês Raymond Whelan, foi preso, depois solto, e está foragido desde quinta-feira. O sobrinho de Blatter é dono da Infront, uma das acionistas da Match, mas a Fifa sempre dizia que ele não tinha nenhuma relação com a venda de ingressos.

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Agora, uma descoberta feita pelos policiais na suíte 514 do Copacabana Palace reforça os laços da Fifa com o escândalo. Alguns dos ingressos apreendidos com a quadrilha, aos quais VEJA teve acesso, estavam em nome da própria Fifa. Ou seja, saíram da entidade para as mãos dos criminosos. “Precisamos saber de que maneira esses ingressos com o nome Fifa chegavam até eles. Não temos dúvidas de que o senhor Whelan facilitava o despejo de ingressos para que a quadrilha de cambistas comandada pelo Lamine (o argelino Lamine Fofana, que está preso) os revendesse”, afirma o delegado Fábio Barucke.

Há vários indícios de irregularidades com os ingressos. O nome de outro diretor da Match, Paul Whelan, filho do foragido Ray, estava em duas entradas para jogos das oitavas de final no mesmo dia, mas em cidades diferentes (Brasil x Chile, às 13h, em Belo Horizonte, e Colômbia x Uruguai, às 17h, no Rio de Janeiro). Como é pouquíssimo provável que ele fosse às duas partidas, a suspeita da polícia é que ele fosse repassar ao menos uma das entradas para o esquema dos cambistas.

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