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Bruno se recusa a falar sobre crime e cita Edmundo como exemplo

Goleiro não respondeu às perguntas sobre a morte de Eliza e usou acidente do ex-craque do Palmeiras como motivação para enfrentar gritos de 'assassino'

Por Leslie Leitão, de Varginha Atualizado em 14 mar 2017, 15h52 - Publicado em 14 mar 2017, 12h51

“Qualquer pergunta que não seja de futebol não será respondida”, anunciou o presidente do Boa Esporte, Rone Moraes, antes do início da entrevista coletiva de apresentação de Bruno Fernandes . Condenado a 22 anos e 3 meses pelo assassinato da ex-amante Eliza Samudio, o goleiro passou 30 minutos de frente para as câmeras com o sorriso amarelado e, de fato, se recusou a responder qualquer questionamento que remetesse ao crime bárbaro que cometeu. Nem a possibilidade de voltar para a prisão – caso perca o recurso que será julgado na 5a Câmara Criminal de Minas Gerais – ele quis falar.

No único momento em que aceitou falar sobre as consequências de seu ato, Bruno citou o exemplo de um ex-colega para lidar tentar com os gritos de ‘Assassino’ que virão das torcidas rivais: “Há outros exemplos, eu não sou o primeiro. O Edmundo passou a carreira toda enfrentando isso, cantores e outras pessoas públicas superaram isso. Mas o pior já passou. Se não estiver preparado para essa pressão, posso levantar daqui e ir embora”, rebateu. Ao contrário de Bruno, condenado por homicídio triplamente qualificado, Edmundo foi condenado por homicídio culposo (sem intenção de matar) após bater com o carro na Lagoa Rodrigo de Freitas, em 1995. No acidente, três pessoas morreram.

  • A primeira pergunta da entrevista deixou o goleiro na defensiva. A repórter de uma emissora de tevê local queria saber se o goleiro se achava merecedor de vestir a camisa de um clube de futebol após cometer um crime tão bárbaro. “Não vou responder sua pergunta”, disse, lacônico.

    Goleiro Bruno faz sua primeira entrevista pelo Boa
    Goleiro Bruno faz sua primeira entrevista pelo Boa Leslie Leitão/VEJA

    O goleiro se recusou também a comentar sobre a debandada de patrocinadores (os cinco que apoiavam o clube romperam os acordos após o anúncio de sua contratação, na sexta-feira. “O presidente responde.” Ao lado, o cartola afirmou “não ter visto essa repercussão negativa toda”, e adiantou que até o final da semana terá um novo patrocinador master.

    Bruno se disse estar à vontade, feliz com a oportunidade dada pelo Boa Esporte e rebateu a questão da pressão das redes sociais e das ruas de Varginha, onde muita gente tem se manifestado contra a contratação do goleiro: “No olho a olho as pessoas me tratam bem. Trazem palavras de incentivo”, disse.

    Apesar do futuro indefinido e a possibilidade de voltar à cadeia a qualquer momento, Bruno tentou demonstrar tranquilidade ao falar sobre a chance no novo clube. “Se eu falhar, serei cobrado. Se for bem, não farei mais do que a obrigação. Mas estou motivado. Objetivo do clube é subir para a primeira divisão (do Brasileiro)”, disse, emendando que ainda sonha com seleção brasileira: “Sonhar nunca é demais. Um dia sonhei estar aqui de volta. E estou”.

    Sobre o movimento de mulheres que vem protestando contra a contratação do goleiro, não comentou. E também se recusou a falar quando perguntando se considerava-se um no exemplo para as crianças apaixonadas por futebol: “Não te respondo essa pergunta”.

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