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Brasileiro ‘dribla’ Beckham e coloca time na elite dos EUA

A Flórida já ganhou um novo clube na MLS - mas não é a equipe do astro inglês, e sim a do empresário Flávio Augusto da Silva, o proprietário do Orlando City

“Queremos ser o time americano de todos os brasileiros. E queremos ser parte do roteiro dos brasileiros que passam pela Flórida, mais de 1,5 milhão de pessoas por ano”, explica o empresário

O futebol finalmente parece que vai emplacar nos Estados Unidos. A recente criação do New York FC, uma sociedade entre os bilionários Manchester City e New York Yankees (do beisebol) foi só mais uma amostra da força do esporte – que, se ainda não é popular como o futebol americano, já atrai públicos superiores ao do Brasileirão, por exemplo (foram 18.000 torcedores por jogo em média em 2012, contra 12.000 nos estádios do “país do futebol”). De olho nesse mercado promissor, o ex-craque David Beckham negocia com sócios e amigos (como o astro da NBA LeBron James) a criação de uma nova franquia da MLS, a liga profissional americana, na cidade de Miami. Na terça-feira, porém, um empresário brasileiro ainda pouco conhecido no meio esportivo driblou Beckham e saiu na frente, com o anúncio oficial da MLS de que a mais nova equipe a representar a Flórida na elite do futebol nos EUA é o Orlando City, de propriedade de Flávio Augusto da Silva.

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O cartola novato comprou o Orlando quando a equipe disputava a USL Pro, espécie de terceira divisão do futebol local, que não conta com sistema de acesso e descenso. Ele planejava investir cerca de 110 milhões de dólares para colocar seu time na MLS, a principal liga americana, a partir de 2015. Com o título de campeão desta temporada, conquistado em setembro, e um público cada vez maior nos jogos, Silva cumpriu sua missão. Nesta semana, ele recebeu a confirmação formal do ingresso na MLS no prazo previsto – a temporada 2014 será a última do time fora da elite. “Foram meses de negociações e trabalho duro para chegarmos até aqui”, disse ele, destacando que a torcida da equipe até saiu às ruas de Orlando para comemorar a chegada à “primeira divisão” americana. Silva afirma, porém, que não pretende ter apenas o apoio do morador local. “Queremos ser o time americano de todos os brasileiros. E queremos ser parte do roteiro dos brasileiros que passam pela Flórida, mais de 1,5 milhão de pessoas por ano”, explica o empresário. O prefeito de Orlando, Buddy Dyer, comemorou muito a notícia anunciada na terça justamente porque aposta no aumento do fluxo de visitantes por causa dos jogos do City na MLS. E para atrair ainda mais os turistas, o dono do Orlando City promete uma contratação de impacto para a temporada de estreia na liga. “Quero um grande craque. Já penso em alguns nomes, e eles são brasileiros”, adianta.

Criador e sócio da franquia de escolas de inglês Wise Up, Silva conta que, para investir em esporte, o mercado americano ainda é melhor que o brasileiro. “O futebol nos Estados Unidos ainda está engatinhando, longe de ter uma maturidade como negócio. Tem potencial de crescimento muito grande e é um dos favoritos das crianças e adolescentes. São 24 milhões de praticantes de 5 a 17 anos, o que já o faz ser o esporte mais praticado do país”, diz ele, que se armou de pesquisas de diversos institutos para planejar o investimento. O empresário também fez proveito de uma experiência que teve há cerca de quinze anos, quando passou uma temporada no país para estudar e percebeu como o esporte é importante na rotina americana. “O futebol, assim como outros esportes, é parte da formação do caráter das crianças: disciplina, relacionamento interpessoal, vida saudável. E também é um investimento, já que pode render uma bolsa de estudo que vai bancar a faculdade toda.”

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Por falar em investimento, Silva tem trabalhado num de seus projetos mais ambiciosos desde que começou a atuar como dirigente. O Orlando vem jogando no Citrus Bowl, um estádio já ultrapassado, mas deve estrear uma nova arena, menor e mais moderna, quando começar a disputar a MLS. O projeto está orçado em 239 milhões de reais por parte do clube e mais 109 milhões divididos por governo, prefeitura e condado locais. “O Citrus Bowl é um estádio antigo, construído para futebol americano. É muito grande, ainda não temos público para enchê-lo. Queremos um estádio menor, com cerca de 25.000 lugares e espaços para lojas e restaurantes, para dar a experiência completa de entretenimento ao torcedor, como se faz nos outros esportes nos Estados Unidos.” Para a temporada que terminou há pouco, o clube conseguiu vender 5.000 carnês de ingressos, mas a média de público tem superado os 8.500 pagantes. Nada mau para uma equipe de divisão inferior num país em que o futebol não é o esporte favorito.

Mesmo precisando disputar a atenção do público com ligas gigantes como a NFL (futebol americano), a NBA (basquete), a MLB (beisebol) e a NHL (hóquei no gelo), Flávio da Silva não teve dúvidas ao preferir investir num time dos EUA ao invés de virar cartola no Brasil. “Aqui eu posso ser o dono e tomar as decisões. No Brasil não dá: os clubes não funcionam como empresas, tudo precisa passar pelos conselheiros, as decisões são lentas. Sim, é possível criar um clube do zero, como fizeram com o Audax, que era ligado ao Grupo Pão de Açúcar, mas como esse time vai ter torcida? Com todo o respeito, alguém torce pelo Audax? É um mercado complicado. Nos Estados Unidos a coisa ainda está em aberto: sabe-se que há potencial, mas não sabemos até onde podemos chegar. É uma aposta, e acho que tem tudo para dar certo.”