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Brasileirão: com estádios em obras, times ficam sem casa

Preparativos para a Copa de 2014 deixarão grandes do Rio de Janeiro e Minas Gerais sem seus palcos tradicionais. E isso deve mudar rumos do campeonato

Por Davi Correia 16 Maio 2011, 14h03

Os que ainda têm estádios seguem tendo a chance de pontuar muito mais nas partidas caseiras. Mas os ‘nômades’ terão de se adaptar

Em um torneio disputado por pontos corridos, o fator campo é decisivo – para ser campeão, um time deve vencer muitos jogos em seu estádio, onde os jogadores conhecem cada centímetro do gramado, a torcida empurra a equipe, os atletas sentem-se em casa. No Campeonato Brasileiro deste ano, porém, muitos times tradicionais – alguns deles candidatos ao título – não terão essa vantagem. Tudo por causa dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014. Com os estádios onde estão acostumados a mandar seus jogos em obras, esses times não terão uma casa em 2011. Um dos problemas enfrentados por esses clubes é de ordem financeira: com grandes estádios em obras, a saída jogar em campos pequenos, onde é difícil conseguir uma boa arrecadação nas bilheterias. Esse efeito, porém, nem é o mais grave. É possível dizer que as obras para a Copa devem influenciar até mesmo no resultado final do campeonato, já que o mando de campo pode não valer a mesma coisa para todos os times. Os que ainda têm estádios seguem tendo a chance de pontuar muito mais nas partidas caseiras. Os “nômades” do Brasileiro terão de se adaptar. Uma das situações mais complicadas está em Minas Gerais. O Mineirão, como é conhecido o estádio Governador Magalhães Pinto, está em reforma desde o começo de 2011 e não deve receber nenhum jogo do Brasileirão. Para piorar, o Independência, inaugurado para a Copa de 1950, também está sendo reconstruído. A solução encontrada pelo trio de mineiros na Série A – América, Atlético e Cruzeiro – é mandar suas partidas na Arena do Jacaré, cerca de 60 quilômetros de Belo Horizonte. Mas isso impedirá que os times da capital mineira joguem em casa no mesmo dia. Areia no gramado – Outra grande encrenca é a dos grandes clubes cariocas. O Vasco tem São Januário, mas Flamengo e Fluminense dependiam do Maracanã, que está fechado desde o ano passado. E o Botafogo, que conta com o Engenhão, tem de receber os dois rivais em seu estádio – que já começa a sentir todos os efeitos dessa sobrecarga de jogos. No fim do campeonato de 2010, já foi possível ter uma prévia desse problema. Com jogos aos sábados e aos domingos, o gramado ficou nitidamente desgastado, com buracos sendo tampados com areia. E isso só deve piorar. A promessa de reabertura do Maracanã é para 2012. Apesar da alternativa São Januário, as principais partidas deverão acontecer no Engenhão. Francisco Fonseca, vice-presidente de Patrimônio do Botafogo, afirma que o clube carioca está preparado para a maratona de jogos. “O clube trabalha com a realidade de receber partidas de todos os clubes grandes do futebol do Rio e entende que está organizado e estruturado para isso”. Pelo menos para o Botafogo, a dificuldade dos times brasileiros de encontrar onde jogar no Brasileirão 2011 terá um lado positivo. Paul, Fla e Flu – De acordo com Fonseca, o clube carioca vai aproveitar para arrecadar dinheiro com a maior visibilidade de seu estádio. “Já temos diversos parceiros comerciais, mas a quantidade de jogos é fundamental para a captação de novos contratos de patrocínio.” O dirigente não revela as cifras desses acordos, mas se diz otimista com a chance de fazer bons negócios. Para completar, o Botafogo (que estréia no Brasileirão em SP) cedeu o estádio para dois shows de Paul McCartney no fim de semana. Resultado: logo na primeira rodada, Fla e Flu terão de se virar.

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