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Brasil tenta retornar à semi contra rival que foge da história

Depois de duas eliminações consecutivas nas quartas, seleção espera quebrar série. Para Colômbia, passado não anima contra o 'maior da história das Copas'

“As histórias e as tradições têm seu peso e é preciso aprender com o passado”, disse o técnico argentino da Colômbia, José Pekerman. “Mas não é pelo passado que um time sempre vai vencer. Não podemos ficar pensando no que já passou. É fundamental evitar achar que o jogo tem um favorito”

A seleção mais vitoriosa da história das Copas do Mundo entra em campo nesta sexta-feira, em Fortaleza, para tentar interromper uma incômoda sequência – desde que conquistou o penta, em 2002, o Brasil caiu duas vezes consecutivas nas quartas de final, justamente a etapa da competição que encara às 17 horas (de Brasília), contra a Colômbia. A equipe do técnico Luiz Felipe Scolari espera evitar a repetição do período transcorrido entre os Mundiais de 1978, quando o Brasil ficou em terceiro lugar, e 1994, quando levantou a taça. Nas três edições realizadas nesse intervalo, 1982, 1986 e 1990, o país não conseguiu aparecer entre os semifinalistas. Uma eliminação diante dos colombianos no Castelão igualaria essa marca negativa e adiaria até 2018, no mínimo, o retorno da seleção ao clube das quatro melhores equipes de uma Copa. Nas últimas cinco edições, o Brasil foi semifinalista em cinco ocasiões – e nas últimas dez Copas, chegou a essa etapa em cinco ocasiões. Ainda que não conquiste o hexa neste ano, uma possível derrota diante de alemães ou franceses, que brigam pela outra vaga em jogo nesta sexta, provavelmente seria melhor digerida pela torcida da casa. Uma queda em Fortaleza, diante de uma equipe que estreia nas quartas de final da Copa, não seria aceita com a mesma resignação.

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As duas últimas eliminações do Brasil foram para seleções mais tradicionais que a Colômbia – além, claro, de terem acontecido fora do país, com o time jogando sem o apoio de sua torcida, que deverá ser maioria massacrante no Castelão nesta sexta. Em 2006, na Alemanha, os algozes dos brasileiros foram os franceses, que venceram por 1 a 0, gol de Thierry Henry, em Frankfurt. O coordenador técnico Carlos Alberto Parreira era o treinador da seleção na ocasião. No Mundial passado, em 2010, na África do Sul, os carrascos foram os holandeses, que venceram de virada, 2 a 1, em Port Elizabeth. O técnico Luiz Felipe Scolari tem evitado falar sobre históricos e retrospectos, afirmando sempre que esta Copa está diferente. “Est�á tudo muito igual. Não tem mais essa história de algum time passar com facilidade”, justificou Felipão, que também se disse fã do futebol praticado pelos rivais desta sexta, em Fortaleza. “Como equipe, a Colômbia é bem melhor que o Chile, um time bastante técnico”, completou o treinador, comemorando o fato de não existir uma rivalidade acirrada entre as seleções. �No histórico do confronto, são quinze vitórias do Brasil, oito empates e apenas dois triunfos dos colombianos – o último deles ocorrido há 23 anos, na Copa América de 1991, no Chile, no início do surgimento da geração de ouro do futebol colombiano.

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O adversário� do Brasil também tem alguns motivos para se animar: além da campanha melhor nesta Copa, a Colômbia conseguiu equilibrar os quatro últimos jogos contra a seleção pentacampeã, empatando todos os duelos dessa série. O Brasil não vence há pouco mais de uma década. Nada disso, porém, convence o técnico argentino da seleção colombiana, José Pekerman, a tentar encontrar alguma leitura positiva do retrospecto. “O Brasil é pentacampeão mundial, o maior de toda a história das Copas, um time que todo mundo admira e respeita”, afirmou ele na véspera da partida. Apesar de reconhecer que a história está toda do lado brasileiro, Pekerman lembra que isso não será o fator decisivo para apontar o semifinalista nesta sexta. “É normal recorrer ao passado. É sempre uma boa reflexão e não se deve ignorá-la. As histórias e as tradições têm seu peso e é preciso aprender com o que se passou antes”, explicou o argentino, antes de avisar: “Isso não quer dizer que alguém vai ganhar um jogo só por causa disso. Não é pelo passado que um time sempre vai vencer. Todos vão ao gramado para competir e para ganhar. A chave é não tentar pensar nas situações anteriores. Não podemos ficar pensando no que já passou, tanto para nós como para o Brasil. É preciso acreditar e confiar na equipe. É fundamental evitar achar que o jogo tem um favorito.”