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Brasil sofre com faltas, erros e vaias, mas vence apertado

Fred marcou o único gol contra a Sérvia, no segundo tempo, mantendo a série positiva da seleção. Para a estreia na Copa, porém, ainda é preciso melhorar...

Foi suado e difícil, mas o Brasil passou no último teste antes do início da Copa do Mundo. Num amistoso truncado e com poucos lances bonitos, a seleção do técnico Luiz Felipe Scolari derrotou a Sérvia por 1 a 0, gol de Fred, no Estádio do Morumbi, em São Paulo. A equipe mostrou um futebol pouco empolgante, com muitos erros – e, desta vez, Neymar pouco conseguiu fazer. Mas o time soube lidar com as dificuldades, aguentou bem a pressão e não se abateu quando o público paulistano, famoso por ser sempre exigente, chiou com as falhas da seleção. O grupo de Felipão parece suficientemente maduro para lidar com a ansiedade e o nervosismo do primeiro jogo, na semana que vem. Felipão, entretanto, terá de aproveitar bem os últimos dias de preparativos para o começo da competição: seu time ainda mostra problemas no setor de marcação e tem tido pouca inspiração na armação das jogadas. A seleção viaja de volta ao Rio de Janeiro ainda na noite desta sexta, em voo fretado, mas a equipe só volta a trabalhar na Granja Comary no domingo: os jogadores ganham folga no sábado. Depois dos treinamentos do início da semana, a delegação retorna a São Paulo, aí para o jogo que realmente importa: a tão aguardada estreia na Copa, na quinta-feira, contra a Croácia, no Itaquerão.

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A Sérvia deixou claro logo de cara que seria um jogo duro para o Brasil: poucos segundos depois do pontapé inicial, Tadic fez falta feia em Neymar. A seleção de Felipão evitou repetir os mesmos erros do início da partida contra o Panamá, quando custou a entrar em sintonia. Apesar de mostrar atitude e de entrar ligado na partida, o time tinha problemas para encontrar espaços e criar jogadas. Tanto que a melhor chance foi dos visitantes: aos 8 minutos, Kolarov chutou forte, acertando a rede pelo lado de fora. Neymar voltou a ser atingido duramente aos 14 minutos, por Petrovic, que levou o amarelo pela falta. Em seguida, aos 17, o camisa 10 aproveitou uma rara brecha na defesa sérvia e entrou na área para finalizar, mas acabou sendo bloqueado na hora do chute. O Brasil só voltou a levar perigo aos 24 minutos, quando Fred arriscou. Mas o problema que mais tem preocupado Felipão nos treinos na Granja Comary – a vulnerabilidade da equipe aos contra-ataques dos adversários – voltou a ser exposto aos 29: em uma jogada rápida pela esquerda, David Luiz cortou um cruzamento perigoso na pequena área. A seleção levou outro susto apenas dois minutos depois, desta vez numa jogada pela direita: Mitrovic recebeu o cruzamento mas cabeceou para fora.

O Brasil tentou reagir, com Hulk puxando o ataque pelo lado direito e Daniel Alves arriscando de fora da área, mas sem perigo para o goleiro Stojkovic. Aos 40, num dos poucos momentos em que Neymar teve espaço para se movimentar à vontade, a arrancada do craque parou na falta de Matic, na entrada da área. Se em Goiânia o próprio Neymar bateu a falta e abriu o placar, desta vez foi David Luiz que se apresentou para a cobrança, que saiu pelo alto. O Brasil errava muito tanto no ataque, com passes com defeito (principalmente de Oscar, muito mal no jogo, e Hulk), como na defesa – até David Luiz e Thiago Silva, cujas falhas são raras, trombaram e possibilitaram um ataque sérvio (a jogada foi interrompida por impedimento). Logo no lance seguinte, a defesa brasileira se atrapalhou na saída de bola, deixando o torcedor paulistano inquieto. E no minuto final da primeira etapa, surgiam as primeiras vaias à seleção – até aquele momento, os cerca de 67.000 presentes ao Morumbi apoiavam a equipe e gritavam os nomes de Neymar, Felipão e David Luiz.

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No intervalo, Felipão trocou Oscar por Willian, que tem agradado muito nos treinos e mereceu elogios do técnico nos últimos dias. Logo nos primeiros instantes da etapa final, outro susto envolvendo Neymar – que, desta vez, escorregou sozinho e sentiu dores por causa do movimento brusco. O camisa 10, porém, se recuperou e seguiu no jogo normalmente. Antes mesmo dos 10 minutos de jogo, a seleção foi pega de surpresa por um coro que pedia Luís Fabiano, o dono da camisa 9 no último Mundial, que nem sequer estava cotado para ir à Copa. Tratava-se, porém, mais de um desabafo da torcida do dono do estádio do que de uma reivindicação coerente – até porque o problema do Brasil nesta sexta não era a finalização, mas sim a armação das jogadas e a capacidade de escapar da marcação de um adversário competitivo e bem postado em campo. Mas aos 13 minutos, poucos instantes depois de parte do estádio tentar puxar o coro de “Brasil”, a tensão no Morumbi se dissipou quando Fred recebeu um lançamento longo de Thiago Silva na área, matou no peito com boa técnica e conseguiu arrematar firme, fuzilando o goleiro Stojkovic (e calando os pedidos por qualquer outro artilheiro).

O primeiro gol deixou o time claramente mais confiante e seguro: nos minutos seguintes, ao invés de se contentar com o 1 a 0, o Brasil seguiu pressionando em busca de um placar mais confortável. Aos 19 minutos, Paulinho, que foi poupado do jogo contra o Panamá, deu lugar a Fernandinho, que também não esteve em Goiânia. E ele não demorou a fazer um papel que o ex-corintiano desempenhou tão bem na Copa das Confederações, aparecendo como opção de ataque e arriscando para o gol, logo aos 22 minutos. Como o Brasil mostrava muita dedicação e tentava tomar a iniciativa do jogo, a torcida reconhecia o esforço dos atletas – a seleção não arrancava suspiros, mas ouvia gritos de apoio e eventuais aplausos. O torcedor que lotou o Morumbi passou mais um aperto aos 26 minutos, quando um cruzamento pela esquerda terminou com conclusão perigosa dos sérvios pelo alto. Dois minutos depois, Hulk recebeu livre na área e empurrou para as redes, mas o gol foi anulado por impedimento. Fred saiu aplaudido (deu lugar a Jô), assim como Neymar, aos 35 (Bernard o substituiu). Era hora de preservar não só a vitória pelo placar mínimo como também dois dos principais jogadores da equipe. Agora, a seleção só pensa na abertura do Mundial, dentro de seis dias – de preferência, com menos erros, mais gols e menos vaias.