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Brasil e Argentina, rivais unidos pelos problemas e dúvidas

Depois de dois jogos de cada equipe, as grandes favoritas ainda não exibiram tudo o que se espera delas – e ambas sofrem com falhas parecidas até agora

Por Giancarlo Lepiani, de Belo Horizonte 22 jun 2014, 07h56

Se confirmarem seu favoritismo nesta semana, Brasil e Argentina continuam em lados opostos da chave e só se cruzariam mesmo numa possível final. Antes disso, porém, há um longo caminho a ser percorrido

O sorteio dos grupos da Copa do Mundo, na Costa do Sauípe, na Bahia, mal havia acabado quando torcedores de ambos os lados da fronteira apressavam-se na simulação dos resultados para descobrir quando o duelo poderia ocorrer. Ao notarem que tudo se encaminhava para um encontro só na finalíssima, em 13 de julho, no Maracanã, brasileiros e argentinos já começavam a esfregar as mãos, preparando-se para o que seria uma final de sonhos (ou, no caso de quem saísse derrotado, de terrível pesadelo). Mas essa expectativa, que está viva na cabeça dos rivais desde dezembro do ano passado, começou a ficar mais frágil desde que o Mundial enfim começou, há pouco mais de uma semana. Passadas duas partidas de cada seleção, Brasil e Argentina ainda figuram entre os favoritos, evidentemente – mas parece afobação demais projetar esse encontro, que ocorreria só depois de mais quatro jogos, enquanto ambos os rivais ainda sofrem para embalar de vez na competição.

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Por coincidência, depois de 180 minutos de futebol na Copa, brasileiros e argentinos têm alguns problemas similares e vivem alguns dilemas em comum – e as torcidas, por mais que sigam sonhando com a taça, têm preocupações parecidas, já que nenhuma das equipes está mostrando o futebol que se espera delas. Antes dos jogos que fecham a primeira fase da competição, as situações das seleções em seus grupos são bastante distintas: os brasileiros, que caíram numa chave com duas seleções que têm mostrado bom futebol (México e Croácia), têm quatro pontos e precisam vencer Camarões para selar a classificação; os argentinos, num grupo fragilíssimo, somam seis pontos pelas duas vitórias e já garantiram a vaga. Enquanto o time de Lionel Messi se prepara para ir a Porto Alegre para decidir o primeiro lugar do grupo com a Nigéria, na quarta-feira, a equipe de Neymar desembarcou em Brasília e, no início da noite deste domingo, faz o seu último treino antes do duelo com os africanos, na tarde de segunda.

Se ambos confirmarem seu favoritismo nesta semana, Brasil e Argentina continuam em lados opostos da chave e só se cruzariam mesmo numa possível final sul-americana no Maracanã. Antes disso, porém, há um longo caminho a ser percorrido. Os dois, aliás, podem começar sua participação na fase eliminatória contra rivais do próprio continente (Brasil contra o Chile e Argentina contra o Equador), mas também podem duelar com europeus nas oitavas (Holanda no caso dos brasileiros e Suíça no dos argentinos). A princípio, o Brasil terá mais adversários fortes em seu lado da chave (pela classificação atual dos grupos, Alemanha, França e Itália estariam no caminho) enquanto os argentinos ficariam com uma rota bem menos complicada (alguns dos favoritos que decepcionaram iriam justamente para o seu lado). Mas ainda é cedo para especular tanto: antes de projetar etapas ainda tão distantes, brasileiros e argentinos precisam torcer para que suas equipes resolvam algumas das falhas que causaram frustração em quem esperava que as arquirrivais atropelassem quem estivesse pela frente.

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