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Brasil cai diante do México – e amarga outro vice olímpico

A prata tem gosto de derrota para uma seleção que chegou a Londres com uma só missão: quebrar o jejum e ganhar 1º ouro. Mano Menezes pode perder cargo

Antes do retorno melancólico ao país – e sob a dúvida em relação à manutenção de seu emprego -, Mano Menezes ainda deverá estar à frente do Brasil num amistoso dentro de apenas quatro dias, em Estocolmo, contra a Suécia

A seleção mais vencedora do futebol mundial segue sem conquistar uma medalha de ouro em Olimpíadas. Grande favorito a subir ao topo do pódio nos Jogos de Londres-2012, o Brasil foi derrotado pelo México neste sábado, no Estádio de Wembley, por 2 a 1, e teve de amargar mais uma prata, sua terceira na história olímpica em três finais disputadas. Depois de fazer uma boa campanha, sem grandes sobressaltos, o Brasil chegou à final com uma marca notável no ataque: marcou três gols em cada jogo que disputou na competição. Em Wembley, o ataque comandado por Neymar quase passou em branco – Hulk só descontou no finzinho, quando o México já comemorava. Além de aumentar a pressão sobre a seleção a apenas dois anos da Copa do Mundo – de acordo com o ranking da Fifa, o país é só a 13ª melhor seleção do mundo -, a decepção deste sábado tem tudo para colocar fim à era Mano Menezes. O técnico chegou a Londres pressionado, sob forte cobrança do presidente da CBF, José Maria Marin, que sinalizava que um fracasso na Olimpíada significaria uma troca de comando na equipe. Antes do retorno melancólico ao país – e sob a dúvida em relação à manutenção de seu emprego -, Mano Menezes ainda deverá estar à frente do Brasil num amistoso dentro de apenas quatro dias, em Estocolmo, contra a Suécia, no jogo que marca a despedida do Estádio Rasunda, palco da conquista da Copa do Mundo de 1958.

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No jogo deste sábado, o Brasil não conseguiu em nenhum momento repetir o bom desempenho ofensivo exibido no decorrer da competição. O México abriu o placar com meio minuto de jogo – um vacilo inacreditável da defesa permitiu que o atacante Peralta, um dos três mexicanos com idade acima de 23 anos (tem 28), marcasse 1 a 0. Ele aproveitou um passe errado de Rafael, ajeitou o disparo de fora da área e chutou rasteiro no canto de Gabriel, deixando o jogo muito mais tenso para o Brasil. A equipe sentiu o golpe: com muitos passes errados, custou a se encontrar na partida. O problema era o ritmo que os mexicanos imprimiam na decisão. Pressionando a saída de bola brasileira, impediam que o ataque fosse acionado. A primeira boa chance do Brasil só veio aos 20 minutos, quando Leandro Damião desceu pela esquerda e achou Oscar na área. O camisa 10 girou e bateu firme, mas o goleiro Corona agarrou. Já na metade do primeiro tempo, o atacante Hulk ia para o aquecimento – ele começou a Olimpíada como titular, mas foi substituído pelo lateral Alex Sandro no decorrer da campanha. Como o ataque do Brasil não ameaçava, Mano colocou Hulk em campo pouco depois dos 30 minutos, no lugar do próprio Alex Sandro.

Ainda assim, quem levava perigo era o México: aos 35, o experiente Salcido deu mais um susto no Brasil, chutando rente à trave. O Brasil respondeu aos 37, com um chutaço de Hulk, de longe, que Corona rebateu. Aos 40, mais uma chance brasileira: Damião fez o pivô e deixou para Marcelo chutar, invadindo a área. O lateral mandou para fora. Aos 44, Hulk criou mais uma boa chance, aproveitando um rebote para tentar de cabeça. O Brasil ia para o intervalo com mais confiança, mas com uma missão dura pela frente. Virar o placar já parecia difícil, e ficava ainda mais complicado em função das dificuldades encontradas por Neymar na partida. Marcado de forma implacável, ele custava a achar espaços para jogar. O craque brasileiro começou a se irritar com as jogadas duras dos mexicanos e foi para o vestiário frustrado com a escassez de oportunidades no ataque. Ele deu apenas um chute a gol, já nos acréscimos da primeira etapa, e sem grande perigo. O Brasil voltou para o segundo tempo pressionando, e Neymar foi o primeiro a arriscar, com um chute pelo alto do gol, logo aos 2 minutos. Aos 4, voltou a levar perigo, invadindo a área e chutando nas pernas de seu marcador. Já o México tentava esfriar o jogo, demorando muito para bater cada falta e cada arremesso lateral. O jogo também ficou parado por alguns minutos para que Neymar fosse atendido pelo médico da seleção depois de levar uma trombada do goleiro em um cruzamento sobre a área.

Mais solto e mais participativo, Neymar aparecia muito mais na etapa final de jogo. Aos 13, ele teve ótima chance, numa bola que sobrou no lado esquerdo da área, mas chutou para cima. Aos 18 minutos, o Brasil levou um enorme susto quando Fabian ficou cara a cara com Gabriel. O goleiro afastou a bola com um tapa, mas Fabian pegou a sobra, encobriu Gabriel e acertou o travessão. Outro momento de pânico para o torcedor brasileiro aconteceu aos 23, quando Peralta empurrou para as redes na pequena área – mas o atacante mexicano estava impedido e o gol foi anulado. Mano Menezes apostou em Alexandre Pato, que entrou aos 25 minutos. Pouco depois, Neymar chutou da entrada da área, mas a bola desviou na zaga e passou por cima do gol. A falta de inspiração dos brasileiros seria castigada logo em seguida. Aos 29, o México sepultou o sonho do Brasil ao ampliar, com Peralta, de cabeça, após cobrança de falta na lateral. Nervosos, os brasileiros chegaram a brigar entre si – Rafael e Juan se peitaram faltando cinco minutos para o final. O lateral foi substituído por Lucas, mas já não havia mais tempo para uma reação. Em Wembley, o futebol brasileiro tinha de se contentar com mais uma prata, mantendo o jejum de títulos olímpicos. Parecendo não acreditar no resultado, os jogadores da seleção despencaram em campo. Neymar, perplexo, custou a conseguir se levantar. No pódio, ao lado de mexicanos exultantes e sul-coreanos satisfeitíssimos com sua medalha de bronze, pareciam ter sido a pior seleção da Olimpíada, e não a segunda melhor.