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Brasil absorveu bem o 1º susto. Outros virão, avisa Felipão

Na véspera da estreia, técnico fez plantão como psicólogo na concentração. E valeu a pena: equipe conseguiu reagir ao gol contra de Marcelo, logo no início

“Às vezes a gente imagina que para eles as coisas serão como são para nós�, que somos mais experientes, mas eles são muito novos. Foi preciso fazer um trabalho psicológico muito mais cansativo do que qualquer treinamento”

Antes mesmo da apresentação da seleção brasileira para a disputa da Copa do Mundo, o técnico Luiz Felipe Scolari falava abertamente sobre a atenção que seria reservada à preparação psicológica dos 23 convocados, alguns dos quais – incluindo duas peças essenciais d�o time, Neymar e Oscar – são ainda bastante jovens. A preocupação de Felipão foi confirmada logo aos 6 minutos da estreia da equipe no Mundial, quando Marcelo fez um gol contra e deixou o Brasil em desvantagem no duelo contra a Croácia, na quinta-feira, no Itaquerão. O técnico da Croácia, Niko Kovac, já avisava antes da partida que adoraria sair na frente no placar, já que os donos da casa nunca saíram atrás do marcador em suas partidas mais recentes. Depois do jogo, o treinador brasileiro comemorou a reação da equipe, que virou o placar e garantiu uma vitória no sufoco, 3 a 1. Felipão acha que esse foi apenas o primeiro susto da caminhada brasileira na Copa – mas acha que sua equipe mostrou ser capaz de lidar com situações adversas, apesar da pouca experiência de alguns atletas na competição.

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O técnico, que trabalha há duas décadas com a psicóloga Regina Brandão, especializada em avaliar e preparar atletas profissionais, revelou que dedicou mais tempo às conversas com os atletas do que à própria parte tática do jogo de quinta. Ele também contou que a psicóloga que auxilia a seleção esteve na concentração na quarta-feira para ajudá-lo a identificar quais atletas poderiam sentir a pressão da partida. No time titular, só Júlio César, Daniel Alves e Thiago Silva já tinham experiência de Copa. “Na véspera do jogo, da manhã até a noite, eu nem consegui ficar no meu quarto, porque precisei fazer um trabalho especial ao ver que alguns jogadores poderiam estar sentindo um pouco mais o peso da estreia, dentro do que a doutora Regina me passou. Às vezes a gente imagina que para eles as coisas serão como são para nós�, que somos mais experientes, mas eles são muito novos. Foi preciso fazer um trabalho psicológico muito mais cansativo do que qualquer treinamento.”

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Felipão reconheceu que a seleção ficou nervosa durante alguns minutos após o gol, mas aprovou o fato de seu time ter se recuperado logo – o Brasil criou algumas chances, passou a pressionar e empatou a partida na metade do primeiro tempo. Depois de fazer plantão como psicólogo na concentração, ele divide o crédito pela virada com o público paulistano, que não deixou a seleção desanimar. “A�cho que meu trabalho ajudou até determinado ponto, mas quem mais favoreceu o time naquela situação foi o nosso torcedor.” Felipão avisa, porém, que esse pode ter sido só o primeiro aperto da equipe na Copa, e garante que continuará trabalhando na parte emocional dos atletas. �”Muita gente tinha dúvidas sobre o poder de reação de um grupo jovem como o nosso numa situação assim, sofrendo o primeiro gol. A gente mesmo continua em dúvida. Mas a seleção evoluiu pelo menos um pouco mais na experiência com essa virada. Só que ainda precisamos melhorar bastante para assimilar outros golpes que virão� nessa estrada que está pela frente.”