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Botafogo decide parar de bancar despesas do Engenhão

Sem poder jogar no estádio interditado, clube deve suspender pagamento da manutenção. A decisão sobre a devolução à prefeitura ainda não foi tomada

Por Da Redação 5 abr 2013, 07h59

“O Botafogo não vai pagar mais um centavo, porque não tem condição e não é justo pagar por uma coisa que não está sendo usada”, disse o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro

O Botafogo não deve devolver o Estádio Olímpico João Havelange à Prefeitura do Rio de Janeiro – pelo menos por enquanto. Mas o clube, sem campo para jogar desde que o Engenhão foi interditado, decidiu parar de pagar as contas da manutenção do local. A decisão foi tomada num encontro entre as principais lideranças da agremiação. Na reunião, realizada na noite de quinta-feira, na sede de General Severiano, o conselho consultivo, formado por ex-presidentes e outras figuras influentes no clube, debateu a possibilidade de rompimento do acordo de concessão do estádio sob a justificativa de que o Botafogo está perdendo dinheiro por causa de problemas que fogem à sua responsabilidade. Muitos conselheiros do clube, liderados pelo ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, pressionavam o presidente Maurício Assumpção para que o clube rompesse o contrato de concessão, que se estende até 2027. O grupo se diz preocupado com o período em que o estádio precisará ficar fechado para a reforma da estrutura que sustenta a cobertura. Um laudo apontando soluções deve sair em até dois meses. Não existe previsão sobre a reabertura do Engenhão.

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O Botafogo sinaliza que não descartou de vez a possibilidade de devolver o estádio, mas vai aguardar informações mais detalhadas sobre os reparos necessários antes de tomar uma posição definitiva. Isso só deve acontecer dentro de 15 a 30 dias. “Vamos aguardar o parecer sobre o que será preciso para reabrir o estádio. Então, vamos nos reunir de novo e resolver o que faremos da vida”, disse Montenegro. O ex-presidente voltou a defender a devolução do estádio à Prefeitura. “O Botafogo não vai pagar mais um centavo, porque não tem condição e não é justo pagar por uma coisa que não está sendo usada. O clube não tem culpa de nada, pois vem fazendo tudo que o contrato manda. Se dependesse de mim, entraria em acordo com o prefeito e devolveria”, disse ele, afirmando ainda que o Engenhão “não pegou” entre os torcedores. “Não dá grandes lucros e nem há uma ligação emocional.” O atual presidente do clube só deve se pronunciar publicamente a respeito do assunto nesta sexta.

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Mesmo que o Botafogo tivesse decidido pela devolução, o prefeito Eduardo Paes já tinha avisado que não estava disposto a receber o Engenhão de volta. Ele deixou claro na quinta-feira que não pretende assumir a responsabilidade pelo estádio, que é administrado pelo clube carioca. “Acho uma besteira. Não fui informado de nenhuma decisão formal do clube e sugiro que a decisão do Botafogo não seja a de devolver um estádio das dimensões do Engenhão”, disse o prefeito. Paes e Assumpção se reuniram na quarta-feira para tentar buscar uma solução para o impasse. O prefeito disse ainda que o Rio não aceita arcar com o custo da reforma “nem por um decreto”. “A Prefeitura está trabalhando para dar uma solução com a maior brevidade possível. E me parece que essa solução é de responsabilidade de quem fez o estádio, e não do município”, justificou ele. Há informações de que o presidente do Fluminense, Peter Siemsen, foi procurado por Paes para discutir a possibilidade de seu clube assumir a gestão do Engenhão – e Siemsen teria se mostrado receptivo à ideia. Não há, contudo, uma posição oficial da Prefeitura e da agremiação sobre essa hipótese.

(Com Estadão Conteúdo)

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