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Bolt, lenda olímpica, é bicampeão também nos 200 metros

Ele já tinha feito história em Londres, mas queria mais - e, nesta quinta, virou o maior velocista de todos os tempos, com o segundo ouro em sua prova favorita

Por Giancarlo Lepiani, de Londres - 9 ago 2012, 17h03

Bolt fez uma prova segura e convincente. Tomou a liderança logo no início. Blake acelerou no início da reta, mas não conseguiu ameaçar o campeão, que fechou a prova com melhor tempo no ano

Faltavam apenas 200 metros para Usain Bolt virar uma lenda olímpica – pelo menos na avaliação do próprio jamaicano, que garantia ainda não estar satisfeito com as quatro medalhas de ouro que já tinha em sua coleção. E ele precisou de apenas 19s32 segundos para cruzar a linha de chegada, conquistar seu quinto ouro e entrar de vez na história dos Jogos. O homem mais rápido do mundo agora é também o primeiro bicampeão olímpico nos 100 e nos 200 metros rasos. Jesse Owens não conseguiu tal marca: depois das vitórias notáveis em 1936, não conseguiu repetir a dose em 1940 (a II Guerra impediu a realização dos Jogos). Carl Lewis também não – campeão nas duas provas em 1984, perdeu os 200 metros em Seul-1988 para Joe DeLoach, um jovem compatriota e companheiro de treinos. Na final dos 200 metros em Londres, nesta quinta-feira, Bolt, de 25 anos, também tinha um adversário bastante próximo: Yohan Blake, de 22, o último a conseguir derrotá-lo, nas seletivas jamaicanas para a Olimpíada. Mas o novato não foi páreo para o homem que deixa os Jogos como o maior velocista da história. Blake foi prata, com 19s44, e o bronze ficou para outro jamaicano, Warren Weir, com 19s84. “Era tudo o que eu queria, e deu certo. Vim aqui e fiz o que tinha de fazer, então estou orgulhoso”, disse.

O fenômeno das pistas ainda deverá faturar mais uma medalha, no revezamento 4 x 100 metros, no sábado. Vencendo ou não, Usain Bolt vai se despedir desta Olimpíada com seus sonhos concretizados e com sua promessa cumprida. Ao chegar a Londres, avisou: “Esse será o momento, este é o ano, este é o meu tempo”. Resta saber se o tempo de Bolt se estende até 2016, no Rio de Janeiro – ele já disse que pretende estar na Olimpíada no Brasil. Usain Bolt chegou para a final desta quinta vivendo um momento bem diferente do que antecedeu a decisão dos 100 metros, no fim de semana. Com sua condição física e concentração colocadas em dúvida antes do desembarque em Londres, disputou os 100 metros sob pressão. Fez seu show para a torcida, com caretas, acenos e sorrisos, mas parecia carregar um peso adicional nas costas. Sentia-se obrigado a provar em 2012 o status legendário conquistado em Pequim-2008. Vitorioso na prova, assistida por uma audiência televisiva calculada em 2 bilhões de pessoas, o Bolt de Londres voltou a ser o Bolt de sempre – com direito a uma comemoração particular com três atletas suecas de handebol na madrugada seguinte ao ouro nos 100 metros. Nesta quinta, parecia mais relaxado, mas isso não significava que não levaria a prova tão a sério. Pelo contrário: os 200 metros rasos são a prova ideal de Bolt, a competição para a que ele mais trabalha – e a que melhor combina com seu extraordinário talento.

Bolt se diz muito mais confortável nos 200 metros, até porque a distância maior permite que ele se recupere de uma eventual largada ruim, o único ponto vulnerável de suas corridas – e um dos principais argumentos usados pelos críticos que questionavam o seu favoritismo em Londres. “Foi uma corrida fácil. É minha prova favorita”, disse, depois da eliminatória de terça. A decisão desta quinta não foi assim tão simples – Blake, afinal, era uma ameaça real, e tinha chegado à final com o melhor tempo das semis. Bolt, no entanto, fez uma prova segura e convincente. Tomou a liderança logo no início. Blake acelerou no início da reta, mas não conseguiu ameaçar o campeão, que fechou a prova com seu melhor tempo no ano – longe dos recordes olímpico e mundial, mas o suficiente para consolidar sua posição de destaque na história olímpica. Bolt revelaria depois que voltou a sentir as dores que vinham prejudicando seu desempenho. “Fui rápido, mas não estava totalmente em forma”, contou. Ainda assim, sobrou na corrida: ao passar pela linha de chegada, colocou o dedo indicador sobre a boca. Fez flexões de braço na pista, amarrou-se à bandeira jamaicana e deu a volta olímpica escoltado pelos compatriotas. Pegou a câmera de um fotógrafo e registrou imagens da torcida o aplaudindo. Ao completar o giro pela pista, beijou a linha de chegada e fez, mais uma vez, o gesto que é sua marca registrada, com os braços esticados para representar um raio.

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