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Blatter se defende: ‘Culpados são indivíduos, não a Fifa’

Candidato à reeleição, presidente da Fifa criticou a escolha de Rússia e Catar como sedes das próximas Copas: 'Mas não podemos voltar no tempo, não somos profetas'

Por Da Redação 29 Maio 2015, 11h29

Horas antes da eleição que decidirá o presidente da Fifa, o candidato a reeleição Joseph Blatter negou que tenha responsabilidade nos escândalos que abateram a entidade nesta semana e fez um apelo por “unidade” entre todas as federações. “Vamos recolocar a Fifa nos trilhos. Vivemos um momento difícil. Os eventos jogaram uma sombra no futebol, mas os que estão por trás disso tudo e os suspeitos são indivíduos. Não é a entidade como um todo. São indivíduos que esqueceram que o futebol é baseado em um jogo de equipe e com fair-play”, afirmou Blatter aos delegados de 209 países, na abertura do 65º Congresso da Fifa, em Zurique, na Suíça. A contagem dos votos que decidirá o próximo presidente deve começar às 12h (de Brasília).

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Blatter tentou explicar a “explosão” financeira da Fifa nos últimos anos que transformou a entidade em uma potência. “É o casamento do esporte com a televisão que fez a Fifa explodir, atraindo parceiros comerciais. Sem eles, não estaríamos aqui”. Blatter ainda citou uma declaração do antigo presidente da Fifa, o brasileiro João Havelange. “Meu predecessor me disse: você criou um monstro. Mas não é assim, a Fifa se transformou em uma grande empresa e as federações nacionais são os acionistas”, declarou.

Tensão – Blatter surpreendeu ao criticar a escolha de Rússia e Catar como sedes das Copas de 2018 e 2022, respectivamente. Segundo ele, se as federações tivessem escolhido Inglaterra e Estados Unidos, os outros candidatos, não haveria tantos indícios de corrupção na entidade. “Se outros dois países tivessem emergido do envelope, acho que não teríamos esses problemas hoje. Mas não podemos voltar no tempo, não somos profetas.”

Blatter trabalha na Fifa desde 1976 e ocupa a presidência desde 1998. Após a revelação dos escândalos, o presidente da Uefa, Michel Platini, pediu pessoalmente que Blatter renunciasse, apesar de seu nome não ter sido citado nas investigações do FBI. Mas, mesmo com o crescente apoio ao outro candidato, o príncipe da Jordânia, Ali Bin Al Hussein, Blatter se negou a deixar a presidência e disse confiar que pode, ele mesmo, limpar a imagem da entidade. “Vocês tem o poder de mudar a cara da Fifa. É um poder que não se pode comprar. Vamos buscar soluções”, disse aos votantes.

O Congresso da Fifa teve momentos bastante tumultuados: além da invasão de manifestantes pró-Palestina, que exigiam a exclusão da federação de Israel, houve uma ameaça de bomba, que logo foi descartada pela polícia local após uma varredura. Representantes das federações palestina e israelense discutiram antes da votação que manteve Israel no quadro de países filiados à Fifa. “O futebol deve ser uma ponte para a paz. Deixemos a política para os políticos”, pediu Blatter.

Manifestante palestina invade o 65º Congresso da Fifa em Zurique, na Suíça
Manifestante palestina invade o 65º Congresso da Fifa em Zurique, na Suíça VEJA

(Da redação)

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