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Blatter não vê motivos para renunciar à Presidência da Fifa

Por Da Redação - 17 jul 2012, 18h19

O presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, afirmou nesta terça-feira que não pretende renunciar ao cargo apesar das denúncias de corrupção contra dois ex-dirigentes da entidade, os brasileiros João Havelange e Ricardo Teixeira, que o deixaram em posição delicada.

“Não basta alguém falar na imprensa ‘renuncie, renuncie’ para que eu saia do cargo. Se alguém quiser me ver fora da presidência, precisa pedir minha demissão diante do Congresso (que reúne todas as federações filiadas à Fifa). Se não quiserem mais de mim, sairei sem discutir, mas quero ressaltar que fui eleito pelo congresso”, declarou Blatter numa coletiva de imprensa.

A Fifa atravessa um momento conturbado após a justiça suíça ter revelado que João Havelange, ex-presidente da entidade, e Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol e ex-vice-presidente da Fifa, tinham recebido subornos milionários da empresa de marketing esportivo ISL.

De acordo com documentos divulgados na última quarta-feira pela Suprema Corte da Suíça e divulgados pela BBC, Havelange, hoje com 96 anos, chegou a receber 1,5 milhão de francos suíços (1,24 milhão de euros) e Teixeira, 12,74 milhões (10,6 milhões de euros).

“Eu não estava sabendo desses subornos”, voltou a afirmar o atual presidente da Fifa na coletiva de imprensa desta terça-feira.

Ao ser perguntado se João Havelange deveria ter seu cargo presidente de honra da Fifa retirado, Blatter explicou que o assunto não tinha sido levantado pelo comitê executivo da entidade. “Este caso diz respeito ao congresso”, justificou.

O suíço recebeu o apoio de Theo Zwanziger, ex-presidente Federação Alemã de Futebol e atual membro do comitê executivo da Fifa, ao deixar claro que “os acusados no caso ISL são Havelange e Teixeira, e não Sepp Blatter”.

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No entanto, Zwanziger admitiu que “valores foram pagos a pessoas e instituições”

Não sabemos o que está por trás disso e é o que precisamos esclarecer”.

Mais cedo nesta terça-feira, diversos políticos alemães pediram para que seja retirada a Ordem do Mérito a mais alta condecoração civil da República Alemã, que foi concedida a Blatter em 2006 pela chanceler Angela Merkel após a atribuição da Copa do Mundo ao país.

Numa carta aberta publicada no jornal alemão Bild, o presidente da Fifa minimizou as declarações que concedeu ao diário suíço SonntagsBlick, interpretadas como acusações de que a Alemanha teria pago subornos para obter a organização da Copa do Mundo daquele ano.

Mesmo assim, o eurodeputado alemão Reinhard Bütikofer insistiu que Blatter deveria ser punido por ocultar casos de corrupção.

“Foi provado que Sepp Blatter faz parte do sistema endêmico de corrupção da Fifa. Por é preciso retirar-lhe a Ordem do Mérito alemão”, afirmou o político.

“Não vou me pronunciar sobre este assunto, mas se decidirem retirar esta condecoração, será retirada , não tenho nada mais a declarar sobre isso”, rebateu Blatter.

Nesta terça-feira, a Fifa adotou um novo código de ética no qual não haverá mais prescrição para casos de corrupção.

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