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Blatter diz que sabia de escândalo, mas não podia agir

Ele disse que na época o pagamento de subornos feito a Ricardo Teixeira e João Havelange não era crime na lei suíça. Assim, não tinha o que denunciar

Por Da Redação - 12 Jul 2012, 12h11

Pressionado, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, confirmou que está citado nos documentos do Tribunal de Zug que, na quarta-feira, revelou o escândalo do pagamento de propinas a João Havelange e Ricardo Teixeira. Pelos documentos, fica claro que Blatter sabia dos pagamentos e ainda defendeu os brasileiros na corte. Nesta quinta, em declaração ao site da Fifa, Blatter disse que nos anos 1990 o pagamento de subornos não era um crime na lei suíça e que, portanto, não tinha o que denunciar.

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Nos documentos, a corte cita um indivíduo marcado como P1. Mas diante da pressão, Blatter decidiu reconhecer que a referência no documento é sobre ele mesmo. “Sim, sou eu.” Segundo ele, a decisão de não revelar seu nome não foi dele, mas da própria corte, para proteger as pessoas que não estavam sendo acusadas. Blatter defende a ideia de que todo o documento seja publicado, sem tarjas ou letras substituindo nomes, como no caso das empresas ligadas a Teixeira ou os nomes das redes de TV que deram dinheiro aos cartolas, inclusive no Brasil.

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Blatter “respondeu” às perguntas feitas por sua própria assessoria de imprens. “O senhor supostamente sabia (do pagamento de propinas)” Blatter respondeu: “Saber o que? Que comissões eram pagas? Naquela época, tais pagamentos podiam ser deduzidos até mesmo de impostos como gastos de negócios. Hoje, seriam punidas pela lei. Não se pode julgar o passado com base nos padrões de hoje. Caso contrário, acabaria como justiça moral. Eu não poderia saber de uma ofensa que na época não era ofensa.”.

O presidente da Fifa dá todos os sinais de que não levar o caso adiante. Segundo ele, a comissão de ética da Fifa apenas vai garantir que os episódios não se repitam. Sobre o futuro de Havelange como presidente de honra da entidade, Blatter diz que não tem poderes para decidir o que acontecerá com o brasileiro, só o Congresso da Fifa. “O Congresso o nomeou como presidente honorário. Só o Congresso pode decidir o seu futuro.”

Propinas – Os documentos liberados pela Justiça suíça detalham o pagamento de propina pela ISL, empresa de marketing que faliu em 2001, para membros da Fifa. Ricardo Teixeira e João Havelange estão entre os nomes que receberam milhões de dólares da ISL.

A Fifa e fez um acordo com a Justiça suíça em que os dois dirigentes brasileiros teriam admitido ter recebido propinas na década de 1990. Eles teriam pago 5,5 milhões de francos suíços com a condição de que suas identidades permaneceriam em segredo.

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(Com Agência Estado)

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