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Blatter diz que Brasil superou a África do Sul: ‘Nota é 9,25’

Presidente da Fifa faz avaliação positiva do evento, destacando parte esportiva. Ao seu lado, ministro e chefe do COL mostram euforia com a aprovação do país

Por Giancarlo Lepiani, do Rio de Janeiro - 14 Jul 2014, 12h58

“Se você está neste negócio, precisa saber lidar com isso”, disse Blatter sobre as vaias que ouviu nos estádios do Mundial

Há quatro anos, no encerramento da Copa do Mundo da África do Sul, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, comemorou o sucesso do torneio e deu nota 9 à organização do evento. Nesta segunda-feira, de volta ao Maracanã depois de presenciar a final entre Alemanha e Argentina e a conquista do título pelos europeus, o cartola suíço colocou a edição brasileira do Mundial um pouco acima da anterior. Numa entrevista coletiva marcada para fazer um balanço da competição, o cartola começou hesitando em classificar a Copa de 2014 como melhor ou pior que as outras. “Foi minha décima Copa do Mundo, quinta como presidente da Fifa. Não dá para comparar com as outras, porque cada uma tem sua peculiaridade. Dentro do campo, porém, ela foi excepcional”, afirmou o dirigente, destacando “a qualidade impressionante do futebol e a intensidade de todos os jogos”. Depois, ao ser cobrado pelos jornalistas sobre a nota que daria ao evento, ele respondeu de forma bem-humorada. “Fizemos todos os cálculos, acionamos todos os computadores, discutimos todos os detalhes e chegamos a um 9,25. Vocês, portanto, melhoraram em relação à África. Não dá para tirar um dez porque a perfeição não existe, no mundo ou� no futebol�.”

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Blatter se mostrou aliviado com o clima tranquilo que acompanhou o evento, confirmando a previsão que fez numa entrevista concedida a poucos dias da abertura, em São Paulo. �”Eu já dizia que, quando o pontapé inicial fosse dado, alguma coisa mudaria no humor do país”, repetiu ele, em referência ao fato de os protestos terem ficado em segundo plano no decorrer da competição. Ao lado do secretário-geral Jérôme Valcke, ele ouviu declarações eufóricas dos dois representantes do governo brasileiro (o ministro Aldo Rebelo e seu secretário-executivo na pasta do Esporte, Luís Fernandes) e do principal executivo do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Trade, que comemoraram muito a realização de um evento sem grandes sobressaltos. O chefão da Fifa, contudo, não fez elogios específicos à infraestrutura oferecida pelos anfitriões, preferindo destacar a qualidade das partidas e o ambiente festivo nas arenas. Questionado sobre o que a Fifa aprendeu ao realizar a Copa no Brasil, ele também desconversou. “É preciso lembrar das experiências acumuladas em todas as Copas do Mundo. Teremos, dentro da Fifa, sob o comando de Jérôme Valcke, um briefing para ver o que podemos tirar como lições desse evento”, disse.

‘Feliz’ – Blatter também deixou em aberto outro tema controverso no mundo do futebol: é melhor levar o evento a países em desenvolvimento (como Brasil e África do Sul, que têm de gastar muito com grandes obras) ou a nações ricas, �já estão prontas para abrigar o Mundial? “É necessário ter uma longa discussão sobre esse assunto. A Copa do Mundo tomou uma dimensão tamanha que sua organização é difícil, envolve trabalho duro tanto para o país-sede como para a Fifa. Seja como for, queremos manter a organização dentro de parâmetros razoáveis, controláveis, e também tentar evitar que os estádios novos fiquem sem uso”, explicou, lembrando mais uma vez que o Brasil queria realizar a Copa em dezessete estádios, e foi convencido pela Fifa a baixar esse número para doze. Blatter disse que não se importou com as vaias ouvidas em alguns momentos em que apareceu nos telões dos estádios que visitou no decorrer da Copa. “Se você está neste negócio, precisa saber lidar com isso”, disse, um dia depois de ouvir novos xingamentos à presidente Dilma Rousseff, que estava ao seu lado na premiação aos alemães no Maracanã. Se Dilma se irritou com as ofensas, Blatter vai embora do Brasil se dizendo “um homem feliz”.

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