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Balotelli, o indomável: um craque em estado bruto na Copa

Na contramão dos ídolos pasteurizados do futebol atual, astro italiano segue suas próprias regras - e contabiiza golaços e confusões em igual proporção

Por Celso de Campos Jr. - 20 maio 2013, 13h22

Os 13 de 2013

De uma vez por todas, a Copa das Confederações marca a chegada do processo civilizatório da Fifa ao futebol brasileiro. Estádios com cadeiras numeradas e sem alambrado, parecidos entre si como o interior de um shopping center; profissionalização dos rituais do jogo, desde o aquecimento nos vestiários até as entrevistas dos jogadores; ídolos que decoraram a cartilha do politicamente correto de cor e salteado. Se, na organização do evento, o chamado padrão Fifa vem se provando poderoso a ponto de endireitar até mesmo o jeitinho brasileiro, dentro dos gramados sua aplicação é ameaçada apenas por um nome: Mario Balotelli. Aos 21 anos, prolífico em gols e polêmicas, o indomável italiano já deixou claro que, para o bem e para o mal, segue suas próprias regras – até porque, desde pequeno, acostumou-se a romper todas elas.

Filho de imigrantes ganeses e nascido em Palermo, foi criado em Brescia por uma família de origem judia. Virou estrela da Internazionale de Milão, foi negociado por 22 milhões de euros com o Manchester City e se tornou o primeiro negro a marcar um gol pela seleção principal italiana. Em 2012, seus gols levaram a então desacreditada Azzurra à final da Eurocopa – a foto do atacante celebrando um de seus gols contra a Alemanha, imóvel como uma estátua e com o torso nu, rodou o planeta e atiçou a curiosidade mundial para o fenômeno Super Mario. Com talento e força física extraordinários, Balotelli, aparentemente, poderia vencer a todos. Nem o racismo, praga que assola os campos europeus e o tem feito de alvo preferencial, parece abalá-lo – o artilheiro já afirmou que deixará o gramado caso seja novamente hostilizado.

Contudo, sua capacidade de se envolver em confusões fora de campo impede sua carreira de deslanchar. O jogador já frequentou as manchetes por acender fogos de artifício no banheiro de sua mansão, por jogar um dardo na direção de um atleta da equipe juvenil, por sair no tapa com seu treinador e até por oferecer uma noite com a noiva como pagamento de aposta – ele ganhou a disputa, mas, merecidamente, perdeu a moça. Pesadelo dos departamentos de relações públicas e dos zagueiros, o hoje astro do Milan chega à Copa das Confederações como a esperança daqueles que ainda procuram no futebol a centelha da imprevisibilidade. No universo pasteurizado das competições da Fifa, Balotelli, um craque em estado bruto, é a tempestade. E só por isso já vale o ingresso.

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