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Ballack nega que jogadores do Chelsea tenham causado demissão de Felipão

Ex-jogador alemão, que atuou no clube inglês, que está no Brasil para a Bienal do Livro, estranhou os protestos contra a Copa e a Olimpíada

Por Flávia Ribeiro, do Rio de Janeiro - 29 ago 2013, 17h36

Para um jogador europeu, é uma surpresa que parte do povo brasileiro esteja protestando contra a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Pelo menos foi o que demonstrou o ex-meia alemão Michael Ballack na abertura da Bienal do Livro 2013, no Riocentro. Um dos embaixadores do Ano Brasil-Alemanha, Ballack jogou uma Copa em seu país em 2006, período no qual, acredita, a competição contribuiu para aprimorar a estrutura do país. “A Alemanha já é uma país como uma infraestrutura muito boa, mas a Copa teve também sua contribuição. Foi importante ainda o intercâmbio com outros países e a promoção turística do país. A população alemã viu a Copa com bons olhos, como uma boa oportunidade para todos”, comparou Ballack.

Em coletiva na abertura da Bienal, Ballack comentou os boatos de que o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, teria sido demitido do Chelsea – onde o meia atuou – em 2009, após apenas nove meses no comando da equipe inglesa, por pressão dos jogadores. “Ele é um treinador experiente que tinha grande respeito lá. Vocês devem ter percebido que nos últimos cinco anos muitos treinadores passaram pelo Chelsea. Não é um papel fácil. Mas a decisão foi da diretoria. Não houve nenhuma influência dos jogadores, ele tinha um relacionamento fácil com todos”, garantiu Ballack, que jogou no Chelsea de 2006 a 2010, sendo treinado por seis técnicos nesse período – de 2011 para cá, mais quatro estiveram no clube inglês.

Aposentado em 2012, quando jogava no Bayer Leverkusen, Ballack foi vice-campeão do mundo na Copa de 2002 e terceiro colocado na de 2006, em casa. Agora, acredita que a hora do tetracampeonato alemão pode estar chegando, apoiado na força que o futebol germânico tem mostrado – e que ficou clara na final da última Champions League, decidida entre Borussia Dortmund e o campeão Bayern de Munique. “A Alemanha está muito bem. Há muitos jovens talentos e o povo alemão está com grandes expectativas, com toda a razão. A maioria dos nossos grandes jogadores estava na final da Champions, marcando de forma forte o estilo do futebol alemão. A meta é ser campeão do mundo. Mas a história mostra que é difícil para os europeus jogar no Brasil. Não se sabe a força que Brasil e Argentina terão, ainda mais jogando em casa ou praticamente em casa”.

O jogador analisou ainda a dupla Messi-Neymar. Para Ballack, a parceria ainda é uma incógnita. “Messi está no Barcelona há muito tempo, Neymar só chegou agora. Lá se joga um futebol muito diferente do da América do Sul. Mas se eles não ficarem de vaidade, podem formar uma grande dupla”.

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Segundo o alemão revelou, os brasileiros mais difíceis que enfrentou foram Dunga e Ronaldo. Por fim, desfiou elogios a Emerson, Zé Roberto e Lúcio, com quem jogou no Bayer Leverkusen e no Bayern de Munique. “Cheguei ao Leverkusen com 21, 22 anos, e aprendi muito com Emerson, um jogador perfeito no combate e na vibração. Para mim, um dos melhores com quem joguei em toda a minha carreira. Zé Roberto e Lúcio também, dois homens com mentalidade de vencedor”, disse, lamentando o momento atual de Lúcio, recém-dispensado pelo São Paulo: “Também tive problemas no meu último ano. Só posso dizer que Lúcio é um jogador extraordinário, que sempre deu tudo pelo clube onde esteve”.

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