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Baía de Guanabara é aprovada no primeiro teste para 2016

Organização diz que águas chegaram a 41% de despoluição. Meta é 80%

Por Luiz Felipe Castro 5 ago 2014, 21h41

A Marina da Glória, porto náutico banhado pela Baía de Guanabara, vem recebendo desde domingo a regata internacional Aquece Rio de vela, primeiro dos 45 eventos-teste que serão realizados até os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. A poluição das águas era a maior preocupação dos organizadores e atletas, mas, a julgar pelo terceiro dia de competições, o mutirão organizado pelo governo estadual para diminuir o mau cheiro e o lixo na região surtiu efeito. Nesta terça-feira, as velejadoras brasileiras Isabel Swan e Renata Decnop, que formam a principal dupla do país na prova de 470 feminino, elogiaram as condições das águas. “Tivemos uma melhora muito grande. Parece que, de repente, a água ficou mais clara, com menos lixo sólido. O trabalho está sendo feito, acho que até 2016 a baía estará em plenas condições”, afirmou Renata.

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Desde janeiro, a Secretaria do Meio Ambiente do Rio e a companhia de água e esgoto da região metropolitana realizam um mutirão para tentar limpar as águas da Baía de Guanabara. Além de ampliar o tratamento do esgoto, o governo utilizou “ecobarcos” para coletar o lixo (colchões e até eletrodomésticos foram vistos nas águas recentemente). De acordo com Isabel Swan, medalhista de bronze em Pequim-2008, as condições atuais das águas agradaram até mesmo os atletas estrangeiros. “Eles reclamaram bastante das outras vezes, mas agora se surpreenderam e estão satisfeitos. Estamos no caminho certo”.

A dupla, no entanto, admitiu que ainda há muito trabalho a fazer. Segundo Isabel, a limpeza das águas do Rio depende também da consciência ambiental dos cidadãos. “Às vezes cheira mal, mas como a maré não tem sido forte, nós não temos sentido muito. Os resíduos sólidos vêm sendo tratados, mas ainda é preciso melhorar a qualidade da água e a relação das pessoas com o mar. Este é um dos cartões postais mais bonitos do mundo, mas muita gente ainda trata a água como depósito de lixo.”

De acordo com Renata, os sacos plásticos na água são a maior armadilha para os velejadores. “Fica muito difícil desviar e pode atrapalhar toda a prova. Mas nesses primeiros dias, vimos pouco lixo na água.” A maioria das instalações utilizadas no evento-teste não será usada nos Jogos Olímpicos, mas a expectativa da organização é que o sucesso da Regata Internacional sirva para confirmar a Baía de Guanabara como uma das sedes da vela em 2016. De acordo com Rodrigo Garcia, diretor de esportes da Rio-2016, o comitê organizador não trabalha com um plano B para as Olimpíadas. “Falaram recentemente sobre mandar os Jogos para Búzios, mas isso está descartado no momento. Queremos que este evento sirva para reafirmar a Baía de Guanabara como sede.”

Segundo Garcia, o evento desta semana está sendo útil para avaliar o gerenciamento da equipe organizadora em quesitos como serviço de alimentação e apoio aos atletas. “A hora de errar é essa. Estou muito satisfeito com nosso trabalho.” Ele admite, no entanto, que o grande objetivo da regata é avaliar as condições das águas. “Estamos com cerca de 41% de despoluição e a meta é chegar até 80% em dois anos. Ainda há muito a ser feito, mas já avançamos bastante.”

O Regata Internacional Aquece Tour conta com 324 atletas de 35 países diferentes. Na segunda-feira, as condições climáticas desfavoráveis causaram o adiamento das provas. Nesta tarde, alguns atletas voltaram a sofrer com a ausência de ventos, mas a maioria das provas ocorreu normalmente. O único evento teste do ano se encerrará no próximo domingo.

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