Atleta de vôlei é o primeiro do Japão a se assumir gay
Rui Takahashi fez um desabafo sobre o processo de aceitação
O jogador de vôlei Rui Takahashi, de 26 anos, tornou-se o primeiro atleta da modalidade no Japão a declarar publicamente ser gay. O ponteiro do Suntory Sunbirds Osaka, equipe da primeira divisão japonesa, compartilhou um depoimento nas redes sociais sobre o processo de aceitação da própria sexualidade. “Desde a infância, lutei contra um certo aspecto de mim mesmo e temi enfrentá-lo, muitas vezes negando quem eu sou. Esse aspecto é o fato de eu ser gay, de pertencer a uma minoria sexual”, escreveu o atleta, em uma publicação nas redes sociais.
Segundo Takahashi, a decisão de falar publicamente sobre o assunto teve influência do irmão mais novo, Ran Takahashi, astro da seleção japonesa. Os dois chegaram a atuar juntos por cerca de dois anos no mesmo time. “Conversar com o Ran foi o catalisador para que eu finalmente me aceitasse. Ao colocar meus sentimentos em palavras, consegui organizar meus pensamentos e, aos poucos, passei a acreditar que ‘está tudo bem ser eu mesmo’. O motivo pelo qual consegui me confrontar a esse ponto foi o tempo que passei com o Ran e o apoio que recebi da minha família, dos meus companheiros de equipe, da comissão técnica e de todos os envolvidos. Sou profundamente grato por todo o apoio que recebi em diversas situações”, desabafou.
O Japão mantém uma legislação considerada restritiva em relação aos direitos da população LGBTQIA+. Embora relações entre pessoas do mesmo sexo não sejam criminalizadas no país, o casamento homoafetivo ainda não é reconhecido nacionalmente pela legislação japonesa. A primeira atleta do país a se assumir LGBTQIA+ foi a jogadora de futebol Shiho Shimoyamada. Em seu relato, Takahashi disse esperar que sua experiência possa servir de inspiração a outros atletas.
“Continuarei me dedicando ao vôlei e buscando o crescimento pessoal em diversas áreas da minha vida. E para aqueles que estão lutando para se aceitar, mesmo que seus motivos e origens sejam diferentes, ficarei feliz se minha reflexão sobre mim mesma e o compartilhamento dos meus pensamentos em minhas próprias palavras puderem ser, ainda que um pequeno, um catalisador para a mudança”, completou.
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