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As possíveis manipulações de jogos da Copa do Mundo por apostas esportivas

Relatório de um dos grupos responsáveis por monitorar partidas do Mundial identificou sete situações suspeitas, contrário ao divulgado por órgão da Fifa

Por Lorenzo Souza Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 jul 2026, 14h17 | Atualizado em 28 jul 2026, 16h22
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O Grupo de Copenhagen, órgão internacional independente responsável por analisar, monitorar, identificar e prevenir a manipulação de competições esportivas, verificou todas as 104 partidas da Copa do Mundo de 2026 e encontrou sete situações suspeitas de possível manipulação dos jogos voltada ao mercado de apostas.

O Grupo, parte do Conselho da Europa, não divulgou o relatório completo, mas sim um resumo das inconsistências encontradas na última quarta-feira, 22. De acordo com informações do The Athletic, braço esportivo do New York Times, algumas dessas inconsistências incluem o cartão vermelho dado a Themba Zwane, da África do Sul, durante a partida contra o México, o Polymarket — site de apostas americano — ter recebido US$ 4,8 milhões (cerca de R$ 24 milhões) em uma aposta de que a Espanha não derrotaria Cabo Verde na fase de grupos (a partida terminou em empate), a demora de três minutos e meio para o VAR tirar o gol de Ferran Torres durante a partida de 4 a 0 contra a Arábia Saudita e o fato de que o Polymarket abriu uma aposta em 2 de julho que perguntava se Folarin Balogun, dos EUA, jogaria contra a Bélgica. A data coincide com a partida do país contra a Bósnia e Herzegovina, quando Balogun levou um cartão vermelho.

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De acordo com o relatório do Grupo, nenhum outro dos 14 jogadores que levaram cartão vermelho durante o Mundial tiveram uma aposta aberta no mesmo sentido que a de Balogun no Polymarket. O Comitê Disciplinar da Fifa só trouxe o jogador norte-americano de volta à competição em 5 de julho, ação que também foi única entre todos os que levaram um cartão vermelho. À época, o presidente Donald Trump pediu a Gianni Infantino, presidente da Fifa, que revisasse a situação. O pedido presidencial fez com que o jogador pudesse estar presente na partida contra a Bélgica.

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A Fifa divulgou à imprensa americana que as conclusões de sua Força Tarefa de Integridade — de forma similar ao Grupo de Copenhagen, responsável por identificar situações de manipulação nas partidas — revelaram que nenhuma atividade suspeita relacionada à apostas ou indícios de manipulação foram identificadas, resposta que contraria os achados do Grupo. O órgão europeu afirmou que enviou um pedido oficial à Fifa por uma explicação por escrito com relação ao caso de Balogun.

O Grupo, assim como o Conselho da Europa, são alguns dos órgãos que participam, junto da Força Tarefa de Integridade da Fifa, da organização e monitoramento das partidas da Copa do Mundo. O grupo da Federação surgiu em 2019 para a Copa do Mundo Feminina e passou a ser obrigatório em todas as outras. O resultado do relatório do Grupo de Copenhagen contraria o que foi divulgado pela Federação com relação às possíveis manipulações de partidas por causa do mercado de apostas.

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Apesar disso, especialistas indicam que as situações identificadas pelo grupo europeu podem ter acontecido não por manipulação, mas por outros fatores diversos dentro do mercado de apostas. O Grupo classifica as situações em quatro categorias: verde (normal), amarelo (alerta um pouco aumentado), laranja (alerta aumentado) e vermelho (alerta severo). Todas as sete situações suspeitas identificadas caem na seção amarela, que representa o menor risco após a verde.

O Grupo de Copenhagen estima que US$ 240 bilhões de dólares foram movimentados em apostas durante todo o Mundial, aproximadamente metade do valor da Copa do Mundo de 2022, à época no Catar. Além dos sete alertas, 15 partidas, em especial as da final, foram colocadas em supervisão aumentada, e 12 controvérsias também foram identificadas e analisadas por eles durante a Copa.

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