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As críticas às pausas para hidratação envelopadas de comerciais na Copa do Mundo

O fluxo das partidas foi interrompido em 78,6% dos 28 primeiros jogos do torneio, segundo jornal

Por Natalia Tiemi Hanada Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 jun 2026, 17h53
As críticas às pausas para hidratação envelopadas de comerciais na Copa do Mundo Priorize VEJA no Google

A Fifa estabeleceu como obrigatória a pausa para hidratação nesta Copa do Mundo na metade de cada tempo de todas as partidas. A medida visa garantir as melhores condições de atuação para os jogadores, durante o verão do hemisfério Norte, onde estão os países-sede da competição, México, Canadá e Estados Unidos. 

A medida adotada em caso de temperatura acima de 28ºC no Brasil, é obrigatória em todas as partidas no Mundial independente das condições climáticas e em estádios fechados também. A Fifa determinou o protocolo visando manter a igualdade entre todos os jogos, com segundas intenções publicitárias.

Apesar de incontestável a necessidade de reidratação dos jogadores diante de condições extremas, a permissão da Fifa para exibição de propagandas durante o recesso gerou críticas. 

“Jogar quatro tempos em vez de dois altera a concepção que culturalmente havia sido construída para interpretar o futebol. Não adiciona nada e tira muito”, disse o técnico da seleção do Uruguai, Marcelo Bielsa. 

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“Obviamente, quando se dividiu em quatro, não se pensou no efeito que pode ter sobre o que fez do futebol um esporte que enamora, mas sim em outro tipo de repercussões, que eu não discuto ou analiso”, continuou. 

“Simplesmente digo que antes da decisão o futebol tinha uma característica, e agora tem outra. E as pessoas gostam do futebol por suas características [originais]”, concluiu o treinador em coletiva neste sábado, 21.

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Outro que criticou a medida foi o técnico da França, Didier Deschamps após amistoso contra o Brasil em março. “Tudo bem para vocês, como emissora de televisão, ter um intervalo comercial”, disse em uma entrevista. “Mas esses três minutos mudam completamente o futebol. Não importa a equipe. Se ela estiver vivendo um bom momento, três minutos interrompem tudo.”

Impacto das pausas

Nas primeiras 28 partidas das Copa do Mundo (1ª rodada + quatro jogos da 2ª rodada), 78,6% dos jogos tiveram o fluxo da partida interrompido pela pausa para hidratação. Os dados são da empresa especializada Driblab e foram publicados no jornal El País. 

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A reportagem analisa o jogo entre Inglaterra e Croácia na última quarta, 17, com vitória inglesa por 4 a 2. Realizado no estádio de Dallas, nos Estados Unidos, os jogadores não sofreram com o calor texano, já que o local é coberto, mas, seguindo o protocolo da Fifa, foram realizadas as paradas por hidratação na metade dos dois tempos.

A Inglaterra levou quase dez minutos para estabelecer seu ritmo de jogo e passou a dominar as ações do jogo antes da pausa no primeiro tempo. Porém, após os três minutos de reidratação, foi a Croácia que teve domínio da partida.

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Segundo a reportagem, quatro em cada dez partidas, precisamente 43% das 28 partidas analisadas, tiveram uma inversão de domínio após as paradas. “A novidade tende a prejudicar as equipes que jogam com mais continuidade e se beneficiam do cansaço dos adversários. Estes se beneficiam pelas pausas”, diz a reportagem.

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