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Após provocar e xingar, Dunga põe a culpa em massagista

O técnico foi flagrado fazendo uma aparente referência a Maradona e seu vício em cocaína. Questionado sobre o bate-boca, ele tentou minimizar o problema

“O rapaz quer um minuto de glória. Nada contra a profissão dele, mas podem notar que há confusão �em todos os jogos em que ele está”, disse Dunga sobre o massagista

Se os jogadores da seleção brasileira lidaram bem com o clima quente do jogo contra a Argentina, neste sábado, em Pequim – mesmo com as faltas duríssimas cometidas pelos adversários, principalmente no segundo tempo, eles evitaram se envolver em confusões -, o técnico Dunga não conseguiu se segurar. Com o Brasil vencendo por 2 a 0, já nos acréscimos do segundo tempo, ele foi flagrado por uma câmera do canal Sportv enquanto discutia acaloradamente com um integrante da comissão técnica argentina. Um pouco antes, Dunga tinha se irritado com uma jogada violenta� sobre o meia Willian e extravasou. No momento em que é mostrado na transmissão, Dunga apertava o nariz, inalando o ar, e repetia, aos berros, “Tu é igualzinho! Tu é igualzinho!”, numa aparente alusão ao ex-craque Diego Maradona e seu vício em cocaína. Maradona foi responsável pela eliminação do Brasil da Copa do Mundo de 1990. Dunga estava em campo e foi apontado como um dos culpados pela campanha ruim. As imagens mostram que quem discutia com o brasileiro era Jorge Pautasso, auxiliar do técnico argentino Gerardo Martin�o. Em sua entrevista coletiva, porém, Dunga minimizou a importância do episódio e atribuiu a culpa pela discussão a outro integrante da comissão técnica rival.

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“O massagista deles cria confusão no showbol, no basquete, no vôlei… Ele não é ninguém. Podem ver que em todas as brigas ele está lá”, reclamou�. “O rapaz quer um minuto de glória. Nada contra a profissão dele, mas podem notar que há confusão �em todos os jogos em que ele está”, insistiu. O técnico brasileiro fez questão de dizer que não teve nenhum atrito com Tata Martino. “Respeito muito o treinador da Argentina, mas houve uma falta em frente ao nosso banco, com o Willian sendo pisado por um jogador deles”, afirmou ao tentar se explicar. De qualquer forma, Dunga não tem motivos para se irritar com a Argentina, pelo menos desde que virou treinador: ele soma quatro vitórias e um empate nos clássicos com a equipe de Lionel Messi. “Não era um amistoso, mas sim uma final de campeonato. Tem marcação forte, mas o Brasil soube se impor e jogar firme”, comemorou, satisfeito com o desempenho da equipe. Para Dunga, a vitória foi importante principalmente por dar confiança aos jogadores neste novo ciclo pós-Copa do Mundo�. “Na seleção tem pressão, mas tem o prazer também. Essas duas palavras têm de estar em equilíbrio. Ganhar é sempre bom, ainda mais em início de trabalho. Mas ganhar da vice-campeã� do mundo, que venceu a Alemanha de maneira fantástica no mês passado�, dá confiança a todos.”

Nesse quesito, ninguém se beneficiou mais do clássico que Diego Tardelli, autor dos dois gols do Brasil. Ele jamais havia marcado com a camisa da seleção e se disse mais convencido do que nunca de que pode ser o dono da camisa 9. “É uma sensação única, uma alegria enorme poder fazer meu primeiro gol, ainda mais contra a Argentina, em um grande clássico. Ainda tive a oportunidade de fazer o segundo. A ficha não caiu ainda, vai demorar um pouquinho. A felicidade é grande”, afirmou Tardelli em entrevista ao Sportv. Tardelli, de 29 anos, foi titular nos três jogos da seleção após o retorno de Dunga ao comando da equipe. Ele espera manter o alto nível exibido contra a Argentina para realizar o sonho de disputar uma Copa. “Quero permanecer na seleção. Para conseguir ir ao Mundial, é bom começar com o pé direito.” O companheiro de ataque de Tardelli, Neymar, teve muito mais chances de marcar que o jogador do Atlético-MG, mas não conseguiu balançar as redes e ainda sofreu com a truculência de alguns jogadores da Argentina, incluindo o volante Javier Mascherano, seu companheiro no Barcelona. O próprio Neymar, porém, disse que lidou com a situação com naturalidade.

“Foram muitas pancadas, mas jogo entre Argentina e Brasil é sempre assim mesmo, tem muito contato físico. Isso faz parte. Existirá a rivalidade até do outro lado do mundo, porque é um duelo de gigantes”, afirmou. “Até troquei a camisa com ele”, completou, ao falar sobre Mascherano. Como capitão da equipe desde a volta de Dunga ao cargo, Neymar levantou o troféu do Superclássico das Américas. �Segundo ele, a festa só não foi completa porque faltou marcar um gol. “Acabei pegando mal em uma bola, tentando encobrir o goleiro. Espero que eu possa recompensar isso na próxima partida.” O outro grande astro do jogo, Lionel Messi, também lamentou uma falha sua na partida, ainda no primeiro tempo, quando desperdiçou um pênalti, defendido por Jefferson. “O jogo foi definido por dois erros: �o da nossa defesa no primeiro gol do Brasil e o pênalti perdido. Foram lances determinantes. Se eu tivesse marcado, o jogo mudaria. Fomos melhores no começo, mas não aproveitamos. Eles marcaram na primeira chance clara que tiveram”, avaliou. Tata Martino também lamentou bastante a falha do zagueiro Fernández no primeiro gol, em um momento da partida em que a sua equipe estava muito melhor, e também o pênalti defendido por Jefferson. “O primeiro gol veio em uma jogada totalmente fora do contexto. Depois ainda tivemos a oportunidade de empatar. A parte mais negativa veio depois do segundo gol, quando o Brasil passou a sair muito rápido para o ataque.”

(Com agências EFE, Gazeta Press e Estadão Conteúdo)