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Após duas medalhas inéditas, técnica destaca judô feminino

A jovem Mayra Aguiar, 20 anos, é um retrato da evolução do judô feminino brasileiro. Antes do bronze nos Jogos Olímpicos de Londres, ela conquistou uma prata e um terceiro lugar em Mundiais. Com duas medalhas na Inglaterra, já que Sarah Menezes faturou o ouro, a técnica Rosicleia Campos destaca o ganho de terreno da modalidade.

‘É claro que tenho minha cota de colaboração. Eu briguei, encarei presidente, coordenador. Até do site eu tomava e conta e reclamava quando tinha mais matérias do masculino que do feminino. Antes, não aceitava comparações com eles, porque o investimento era outro. Hoje, está tudo exatamente igual’, declarou a treinadora.

Com um total de 18 medalhas, o judô é o esporte mais prolífico para o Brasil na história dos Jogos Olímpicos. Ainda assim, Mayra Aguiar foi apenas a terceira mulher do País ao subir ao pódio no evento – antes dela, Sarah Menezes e Ketleyn Quadros, bronze em Pequim-2008, também alcançaram o feito.

Como judoca, Rosicleia disputou as edições de Barcelona-1992 e Atlanta-1996 dos Jogos Olímpicos. Ela assumiu um cargo na comissão técnica da Confederação Brasileira de Judô (CBJ) na temporada de 2005 e, desde então, viu o segmento feminino crescer.

‘Eu sempre quis fazer algo diferente do que foi ofertado para mim. Quando a gente trabalha, não pensa em competir com o masculino. O feminino não tinha nada, zero. Enquanto o masculino sempre teve tudo. Então, já era previsto que a evolução do feminino chegasse mais rapidamente e com mais consistência’, explicou.

Com a decepção de favoritos como Leandro Guilheiro e Tiago Camilo, a única medalha da seleção masculina veio com Felipe Kitadai, bronze. Nesta sexta-feira, os judocas Rafael Silva e Maria Suelen Altheman lutam para fechar a participação do judô brasileiro na Inglaterra.

Se comemorou as duas medalhas inéditas nos Jogos Olímpicos de Londres, Rosicleia Campos lamentou o incidente com a judoca Rafaela Silva. Desclassificada por um golpe ilegal, a judoca discutiu com torcedores em seu perfil no Twitter e diz ter recebido ofensas racistas.

‘O Brasil é um país com gente miscigenada, todo mundo tem um negro na família e vem alguém para ofender desse jeito? Isso é muito cruel e não tem como não se abalar. Como vamos conter uma menina de 20 anos que foi ofendida dessa forma? Todo mundo sentiu isso. Ela tem uma trajetória de vida surpreendente’, defendeu.