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Aos 45 anos, judoca pode subir ao pódio em sua 6ª Paralimpíada

Antonio Tenório perdeu totalmente a visão aos 19 anos. Hoje, tenta mais uma medalha, que nunca deixou de ganhar desde os Jogos de Atlanta, em 1996

Por Cecília Ritto - 10 set 2016, 02h50

Cinco anos depois de perder totalmente a visão, aos 19, Antonio Tenório venceu sua primeira competição de judô em uma Paralimpíada, a de Atlanta, em 1996. Desde então, nunca faltou a nenhuma e nunca saiu sem medalha. Neste sábado, Tenório pisa mais uma vez no tatame para defender o Brasil na categoria até 100 quilos. Aos 45 anos, o atleta veterano da equipe de judocas faz mais questão ainda de subir ao pódio nesta que será provavelmente sua última disputa olímpica. “Estou ficando cansado”, admite.

Tenório nasceu com visão normal e ficou cego em consequência de dois incidentes. Aos 13 anos, brincando de jogar mamonas num grupo de amigos, foi atingido em cheio no olho esquerdo, sem chance de recuperação. Aos 19, uma alergia a monóxido de carbono eliminou a visão do olho direito. Foram sete cirurgias sem sucesso. Tenório estava cego.

Com o diagnóstico em mãos e precisando de uma distração, ele voltou ao judô, que havia praticado na infância. Na primeira aula, o professor faltou. Na condição de faixa marrom e de mais velho da turma, Tenório assumiu o comando. “Foi mágico. Faz diferença aprender judô com a visão plena. Fica mais fácil ensinar os movimentos. Poder aprender quando ainda enxergava foi uma vantagem para mim”, diz. A partir daí, o judô virou profissão.

Se a idade aumenta o período de recuperação, também contribui para uma maior experiência. “Na luta paralímpica, as mãos não podem sair do quimono. Hoje em dia, só pelo movimento do ombro e a puxada de mão do adversário eu consigo prever o golpe e reagir rápido”, explica. Também contribuem as quatro horas diárias de treinamento em São Paulo. Sua única reclamação é a pouca quantidade de campeonatos internacionais para atletas paralímpicos. Este ano, competiu uma vez na Alemanha, uma na Inglaterra e uma no Brasil . “É pouco. Campeonato dá ritmo ao atleta”, queixa-se. Apesar das dificuldades, não falta ritmo a Tenório, pronto para brilhar mais uma vez no tatame paralímpico.

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