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Anderson em turnê mundial: a fama sobreviveu ao nocaute

Ainda em alta entre os patrocinadores, o ex-campeão janta com Jamie Oliver em Londres e grava comercial em Tóquio. Depois, hora de treinar forte nos EUA

Por Davi Correia 12 set 2013, 08h27

“O susto da torcida e o apoio dos patrocinadores fizeram o Anderson Silva entender sua importância para o esporte”, diz o agente Hebert Mota

O telefone de Anderson Silva não parou de tocar depois que ele foi nocauteado pela primeira vez em sua carreira, pelo americano Chris Weidman, em 7 de julho, em Las Vegas. Em uma dessas ligações, os representantes da Nike, sua patrocinadora de materiais esportivos, lamentavam a derrota, mas nem sequer cogitavam cancelar o apoio ao ex-campeão dos médios. Nas horas seguintes ao nocaute, outros patrocinadores mandaram mensagens manifestando seu apoio – e alguns deles até visitaram o ex-campeão em sua suíte no hotel MGM Grand. Apesar da derrota, que chocou os fãs e os especialistas, Anderson Silva não perdeu o vínculo com nenhuma marca. Pelo contrário. Na quarta-feira, o brasileiro desembarcou em Londres para compromissos com possíveis parceiros comerciais, encontros com a imprensa europeia e até para ministrar palestras para outros atletas. Na próxima semana, o Spider embarca para o Japão, também com uma agenda lotada de compromissos profissionais. Quem acompanha Anderson de perto garante que em nenhum momento ele temeu perder algum dos patrocinadores, como muitos cogitaram. Mas o ex-campeão ficou preocupado sobre como as marcas e empresas que o apoiaram seriam vistas pelos torcedores, que estavam decepcionados com um desfecho tão inesperado para a luta.

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O brasileiro Anderson Silva no avião para Londres
O brasileiro Anderson Silva no avião para Londres VEJA

“Quando a gente fecha um contrato, os patrocinadores sabem que estão fechando com o Anderson Silva, não com um lutador comum. É tudo assinado com base na figura dele, sem cláusulas de performance”, explica Hebert Mota, agente do lutador, que completa: “O susto da torcida e o apoio dos patrocinadores fizeram o Anderson Silva entender sua importância para o esporte e valorizar a possibilidade de trazer o cinturão de volta ao Brasil”. Quem também garante que não houve desvalorização da marca Anderson Silva é Marcus Buaiz, presidente da 9ine. “Todas as marcas querem se associar a pessoas vitoriosas. Não seria uma derrota que atrapalharia a carreira do Anderson”. Buaiz usa o exemplo de seu sócio, Ronaldo, para mostrar que a fama e o prestígio do Spider resistiram bem ao nocaute. Depois da derrota da seleção brasileira para a França na final da Copa de 1998, as críticas foram todas concentradas em Ronaldo, mas isso ajudou a equipe do lutador a entender como deveria ser a relação com os patrocinadores. “O Ronaldo é a prova de que o relacionamento entre marca e atleta precisa ser de longo prazo. Assim como o Anderson Silva perdeu, o Ronaldo passou mais de um ano sem jogar por causa de lesões, mas voltou com gols, vitórias e muito apoio.”

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Jamie Oliver e reclusão – Quase três meses antes da revanche contra Weidman, em 28 de dezembro, no mesmo palco da primeira luta, Anderson Silva segue com a agenda cheia, mas isso não significa que a preparação para a luta está em segundo plano. A viagem para Inglaterra e Japão é a última etapa de uma extensa lista de compromissos profissionais antes de o lutador começar a treinar intensamente. Além de reuniões e entrevistas, ele foi convidado para um jantar com o chef-celebridade Jamie Oliver, uma das figuras mais famosas da TV inglesa. O ex-campeão dos médios também participará da Semana de Moda de Londres. Ao desembarcar no Japão, o Spider tem mais uma rodada de entrevistas e a gravação de um comercial para uma marca que ainda não pode ser divulgada. “A relação entre patrocinador e atleta precisa ser boa para os dois lados. Nós mantivemos todos os contratos, mesmo com a derrota, sem nenhuma queda de valor de mercado”, afirma Mota, satisfeito com as oportunidades de negócio no exterior. Depois de quatro dias no Japão, Anderson Silva e sua equipe seguem para Los Angeles, onde entrarão em total reclusão. Será a hora de apertar o passo e intensificar os treinamentos para a revanche. Nesse período, surge um outro Anderson, bem diferente do que vai jantar com Jamie Oliver. Na reta final da preparação, o atleta some dos programas de televisão e eventos promocionais e passa a ser quase impossível falar com o ex-campeão.

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Popularidade – Anderson está ansioso para tentar recuperar não só o cinturão como também a confiança dos fãs mais desconfiados, que ficaram decepcionados com o ídolo depois do UFC 162. Logo após a derrota, a internet foi campo fértil para o surgimento das mais variadas teorias da conspiração, acusando Anderson e o UFC de armação. Na imaginação de alguns, o campeão combinou a perda do cinturão com Dana White para ganhar mais dinheiro ainda numa futura revanche. Anderson vai lucrar alto com a luta de dezembro, é certo, mas os boatos que circularam pelas redes sociais não resistem a qualquer avaliação séria. Ainda assim, o fenômeno foi acompanhado de perto pela equipe do atleta. Para acompanhar as manifestações, a 9ine usou uma ferramenta que monitora minuto a minuto qualquer assunto que está em alta na internet. “A gente pode definir que existia um Anderson dez minutos antes da luta – o herói brasileiro – e outro dez minutos depois de ser nocauteado. E esse já não era tão querido”, afirma Marcus Buaiz. O presidente da 9ine diz não ter dúvidas de que a popularidade de Anderson Silva já foi reestabelecida, retornando ao nível anterior à derrota. “A gente fez questão de trabalhar a imagem do Anderson para mostrar quem ele é de verdade. Muita gente falou que era melhor escondê-lo até a revanche, mas aí não estaríamos mostrando a realidade do lutador”, diz Buaiz. “O Anderson Silva é tratado como uma marca, mas é preciso entender que ele e um ser humano, que pode errar e que pode perder.”

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