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Amistoso entre Argentina e Bolívia foi acertado de dentro da prisão

Preso desde julho, Carlos Chavez, então presidente da federação boliviana, assinou o contrato da partida. Antes, 13 seleções negaram convite argentino

Os escândalos de corrupção envolvendo dirigentes ligados à Fifa levaram a um acontecimento surreal: o amistoso entre Argentina e Bolívia, marcado para esta sexta-feira, às 21 horas (de Brasília), em Houston, nos Estados Unidos, foi acertado de dentro de uma cadeia. Walter Zuleta, tesoureiro da FBF (Federação Boliviana de Futebol), contou à rede britânica BBC que o então presidente da entidade e tesoureiro da Conmebol, Carlos Chávez, assinou o contrato da partida, em 4 de agosto, de dentro da prisão de Santa Cruz de la Sierra, onde permanece preso, acusado de desviar dinheiro de uma partida da Bolívia contra a seleção brasileira em 2013.

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Antes de a Bolívia topar o convite, 13 países se recusaram a realizar um amistoso contra a seleção de Lionel Messi e Carlos Tevez por causa do envolvimento da federação argentina nos escândalos da Fifa – a partida foi organizada pela Torneos y Competencia e pela Full Play, empresas argentinas acusadas de receber suborno de dirigentes da Conmebol e Concacaf. Originalmente, deveria ocorrer nesta data mais uma edição do Superclássico das Américas, entre Brasil e Argentina, mas a CBF (que também está envolvida nas investigações do FBI) preferiu cancelar a partida – no lugar, agendou o amistoso deste sábado contra a Costa Rica.

De acordo com a reportagem, a realização do amistoso surpreendeu até mesmo os funcionários da federação boliviana, pois Chavez assinou o contrato dias antes de ser deposto. “Parece que existia uma relação de amizade entre Chavez e as empresas que promovem a partida”, contou o tesoureiro. Segundo ele, na época em que o amistoso foi costurado, a federação estava ocupada em resolver a crise interna, contratar um treinador e recuperar sua conta bancária, bloqueada desde a prisão de Chavez.

Segundo a BBC, seleções de países da Europa, África e Ásia negaram o convite da federação argentina que, desesperada, teve que baixar sua “tarifa habitual” de 1 milhão de dólares para 450.000 dólars pela realização do jogo. O novo técnico da seleção boliviana, Julio César Baldivieso, disse que a equipe foi obrigada a jogar contra sua vontade. Ele contou que mais de 80% dos atletas que viajaram aos Estados Unidos não foram convocados por ele. “Não será fácil enfrentar um monstro como a Argentina com um só dia de treinamento”, lamentou.

Tesoureiro da Conmebol e presidente da federação boliviana, Carlos Chávez, fala com a imprensa após ser preso por suposta corrupção em Sucre, Bolívia Tesoureiro da Conmebol e presidente da federação boliviana, Carlos Chávez, fala com a imprensa após ser preso por suposta corrupção em Sucre, Bolívia

Tesoureiro da Conmebol e presidente da federação boliviana, Carlos Chávez, fala com a imprensa após ser preso por suposta corrupção em Sucre, Bolívia (/)

(da redação)