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Americanos buscam jogadores de beisebol no Brasil

Instrutores da MLB realizam clínica em São Paulo para conhecer jovens atletas

A ideia de americanos no Brasil em busca de talentos no beisebol parece tão absurda quanto brasileiros desembarcarem na China atrás de um novo Neymar. Só que é justamente isso que vieram fazer em São Paulo representantes da Major League Baseball (MLB), uma das mais importantes ligas esportivas dos Estados Unidos.

Ex-jogadores e técnicos realizaram uma clínica intensiva para testar atletas juniores do esporte. A temporada de treinos começou na segunda-feira em Ibiúna, em centro de treinamento da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol. O encerramento ocorreu na sexta-feira da semana passada no Estádio Municipal Mie Nishi, localizado no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. A atividade, que foi prestigiada pelo cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, faz parte da estratégia de marketing da MLB para tornar o esporte mais conhecido no país.

O último treino foi aberto ao público. Em um campo de jogo novo, mais de cinquenta garotos entre 14 e 17 anos corriam, faziam lançamento e davam rebatidas sob um sol de 35º Celsius. Um tradutor explicava para os atletas as instruções dos treinadores americanos. Na arquibancada, menos de cem pessoas acompanharam o treino – incluindo um ou outro americano residente no Brasil atrás de autógrafos de Barry Larkin, um dos ídolos do esporte nos anos de 1990.

“O Brasil está melhorando muito rápido. Um garoto brasileiro de 14 anos tem uma habilidade incrível, coisa que os jovens do nosso país não chegam nem perto”, exagera Robert Rowley, um dos instrutores. “Pelo menos três jogadores têm condições de treinar em times profissionais”

Fama – O que cada um desses garotos busca é ter a oportunidade de atuar numa liga milionário. O New York Yankees, o mais rico de seus trinta integrantes, paga salários médios anuais equivalentes a 14 milhões de reais. O atual ídolo mais bem remunerado do esporte recebeu em 2010 55 milhões reais – quatro vezes mais do que Ronaldinho Gaúcho recebe para atuar no Flamengo.

A Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol, parceira da iniciativa, espera que a clínica ajude a melhorar o nível técnico do esporte no país. Na última edição dos Jogos Pan-americanos, em 2007, no Rio de Janeiro, a equipe brasileira foi eliminada na primeira fase, com uma vitória (para a Nicarágua) e duas derrotas (República Dominicana e Estados Unidos).

“Temos um projeto voltado para crianças para que o Brasil tenha um time competitivo em 2020”, diz Jorge Otsuka, presidente da entidade que comanda o esporte no Brasil.