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Amanda Nunes: ‘Sou a maior lutadora de todos os tempos’

Baiana de 31 anos sonha em se manter no topo do MMA e formar uma família com a esposa americana. Neste sábado, ela enfrenta Germaine de Randamie, no UFC 245

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 13 dez 2019, 11h45 - Publicado em 13 dez 2019, 11h40

Campeã peso-galo e peso-pena feminino do UFC e invicta desde 2014, Amanda Nunes se prepara para novos desafios. O primeiro deles será neste sábado 14, quando a atleta baiana de 31 anos colocará o cinturão dos galos em disputa diante da holandesa Germaine de Randamie, no UFC 245, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Na sequência, seu foco será formar uma família com sua esposa americana, a também lutadora Nina Ansaroff. “Me manter no topo do esporte e ser mãe são meus maiores objetivos”, contou Amanda, em entrevista exclusiva a VEJA.

O olhar raivoso do octógono some completamente no contato com fãs e jornalistas. A “Leoa”, como é apelida, é bastante calma, bem-humorada e responde a cada pergunta, até mesmo as mais espinhosas, de forma simples e direta. Mas apesar do jeito humilde, alheio à badalação que ronda ídolos milionários como ela, Amanda é firme ao falar de sua trajetória e não renega o posto que o próprio presidente do UFC Dana White lhe concedeu: o de maior lutadora de todos os tempos.

“Provei isso no octógono”, garante Amanda, que desbancou de forma impressionante todas as estrelas do UFC, incluindo a americana Ronda Rousey, nocauteada em apenas 48 segundos, e a compatriota Cris Cyborg. Na onda do apelido de GOAT (que em inglês significa bode, o animal barbudo, e também a abreviação de “greatest of all times“, ou o maior de todos os tempos), Amanda participou de um ensaio no qual aparece rodeada de caprinos em uma fazenda. 

GOAT: Amanda Nunes com os dois cinturões do UFC
. Andre Schiliró/UFC/Divulgação

A luta de Amanda, a antepenúltima do evento, acontece já na madrugada de domingo 15 (horário de Brasília) e terá transmissão exclusiva do canal Combate. Confira, abaixo, a entrevista com a campeã:

O Brasil não tem mais campeões do UFC entre homens, muito menos os melhores do mundo no futebol ou no automobilismo. Se considera o maior nome do esporte brasileiro hoje? Sei que sou a melhor lutadora de todos os tempos, provei isso no octógono. Não sei se sou um ídolo nacional, porque fiz minha carreira toda nos Estados Unidos, explodi lá primeiro. Mas hoje já tem muitos brasileiros que me acompanham. Quando ganhei o cinturão, tinha 30.000 seguidores. Hoje tenho 1 milhão. Quero continuar fazendo história. A primeira coisa que vejo quando acordo são meus cinturões e isso me dá motivação para seguir vencendo. Vou me aposentar campeã.

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Você atropelou todas as ex-campeãs, incluindo a antiga ‘rainha’ do MMA, Ronda Rousey. Sonha em se tornar uma estrela mundial como ela? A felicidade é o que importa. Claro que o marketing e fama ajudam, mas hoje tenho tudo que quero, vou viver bem para o resto da vida. A Ronda foi protagonista, aproveitou seu momento, a verdade é que o UFC feminino só existe por causa dela, e esse é um marco. Eu obtive os meus feitos de outra forma, estou feliz com o espaço que alcancei. A vida foi muito boa comigo. Eu estou bem como sou, sendo a melhor lutadora de todos os tempos.

É verdade que cogita trocar o UFC pelo ‘soccer’ no futuro? É possível, quem sabe mais para frente. Já fiz muito pelo MMA e o futebol sempre foi um sonho, gosto de jogar, sei fazer gols. Torço pelo Barcelona, gosto muito de Ronaldinho Gaúcho e Messi. Entre as mulheres, admiro a Megan Rapinoe e a Alex Morgan, adoro ver a seleção americana jogar. Mas no momento meu foco é manter o cinturão e ser mãe.

Você e a Nina pretendem ter filhos? Sim e isso deve acontecer em breve. Já estamos vendo isso, a qualquer momento a Nina pode aparecer grávida. Estamos juntas há sete anos e é a hora de dar esse passo. Ela também é lutadora e, além de minha esposa, é minha amiga e maior incentivadora. Estou ansiosa, acho que vai ser brilhante, ser mãe será mais uma conquista em nossas vidas. Quero que nosso filho brinque muito, como eu fiz na infância, me imagino jogando bola com ele, brincando de pique-esconde, quero curtir tudo isso.

Nina Ansaroff e Amanda Nunes
. amanda_leoa/Instagram

Você nunca escondeu sua orientação sexual e trata isso com naturalidade. Pensa em se tornar, assim como a Megan Rapinoe, uma voz importante no combate ao preconceito? A forma como eu ajo por si só já passa uma mensagem. Trato de ser natural, saio de mãos dadas com minha esposa sem me preocupar com o que vão pensar. Não devo nada a ninguém, corro atrás dos meus objetivos sem passar por cima dos outros. Só quero respeito e que minha alegria contagie as pessoas. Acho que sofri mais preconceito por ser mulher do que por ser gay. Quando alguém quer me provocar nas redes sociais com essa questão da sexualidade eu até brinco: ‘eu não sou gay, não, quem é gay é a Nina’ (risos). Acho que assim acabo desarmando essas pessoas que às vezes só querem um pouco de atenção.

O presidente do UFC Dana White já teve rixas com vários brasileiros. Se dá bem com ele? Temos um relacionamento muito bom, quase de pai e filha. Ele é durão, mas conseguimos sempre entrar em acordo, é questão de dialogar. Não gosto de ir para o confronto, acho que ‘meter o pau’ no chefe não é o melhor caminho. Aprendi depois de falar bastante m… também, já fui mais bocuda.

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Lutadoras de MMA Amanda Nunes, brasileira, e americana Ronda Rousey se enfrentam em Las Vegas
. Christian Petersen/AFP

Se arrepende de alguma declaração? Sim, me arrependi um pouco do que fiz depois de ganhar da Ronda, provoquei, fiz meme, não tinha necessidade e acho que isso até me prejudicou. Mas eu estava muito p… da vida antes da luta, porque eu já era a campeã e ela foi tratada com muitas regalias. Tudo bem que ela era a Ronda Rousey, mas eu era a dona do cinturão. De qualquer forma, acho que exagerei um pouco.

O nocaute sobre Cris Cyborg, que até então parecia imbatível, te surpreendeu pela forma que foi? Não, eu tinha certeza que iria vencer aquela luta, não tinha por que eu não me consagrar como a melhor. A estratégia foi crucial. Eu sou melhor que a Cris em todos os aspectos e estudei bastante o que ela tinha a oferecer, que era algo limitado, que ela fez nos últimos 13 anos.

Mantém amizade com as rivais? Geralmente, não. Troco ideia com algumas, de dar oi e tchau. Várias me odeiam, como a Cris Cyborg, e prefiro que não gostem de mim mesmo. A amizade que eu quero é com o cinturão. Com a Nina eu jamais lutaria, só fazemos treinos juntas e às vezes acontece de uma ficar brava com a outra por causa de um soco a mais (risos).

Qual é o segredo para ter uma mão tão potente, havia algum ingrediente especial na sua mamadeira? Não sei se foi o dendê, o acarajé… sofro muito para cortar peso, porque gosto de comer farinha, farofa com ovo, feijão com arroz, gosto de fartura. Mas acho que é natural mesmo, por algum motivo vim ao mundo com esse poder. A melhor coisa é nocautear, de preferência com socos e pontapés.

UFC 245 – 14 de dezembro, em Las Vegas (EUA)

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Card principal

Peso-meio-médio: Kamaru Usman x Colby Covington

Peso-pena: Max Holloway x Alexander Volkanovski

Peso-galo: Amanda Nunes x Germaine de Randamie

Peso-galo: Marlon Moraes x José Aldo

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Peso-galo: Petr Yan x Urijah Faber

Card preliminar

Peso-meio-médio: Geoff Neal x Mike Perry

Peso-galo: Ketlen Vieira x Irene Aldana

Peso-médio: Ian Heinisch x Omari Akhmedov

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Peso-meio-médio: Matt Brown x Ben Saunders

Peso-pena: Chase Hooper x Daniel Teymur

Peso-mosca: Brandon Moreno x Kai-Kara France

Peso-mosca: Jessica Eye x Vivi Araújo

Peso-médio: Punahele Soriano x Oskar Piechota

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