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Aí depende…

Muita gente anda preocupada porque a seleção brasileira depende demais de Neymar. Na real: azar das equipes que não têm um craque de quem depender

Craques são raros, e sábios são os treinadores que montam o time em função do talento deles

Eu dependi dos meus pais durante muito tempo. Hoje, dependo da minha mulher, dos meus filhos, dos meus amigos. Dependo da Cida, que administra os armários lá de casa. Admitamos essa verdade inexorável da existência humana: a pessoa nasceu, já está dependendo. Pois vejo muita gente preocupada porque a seleção brasileira depende demais de Neymar. Ontem, o gênio de Mogi das Cruzes de novo decidiu. Marcou em dois momentos críticos do jogo, restabelecendo o equilíbrio de um time que ainda oscila muito. Sim, é verdade: o Brasil, por dois momentos na partida, tomou sufoco da eliminada seleção de Camarões – time que, se tivesse jogado esta Copa como fez em partes do jogo de ontem no Mané Garrincha, não estaria voltando para casa de uma forma tão vergonhosa…

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“E no dia em que ele estiver bem marcado? Quem vai resolver?”, pergunta um amigo meu que mora ali no lado vazio do copo. Minha primeira opção para responder é “ele mesmo, o Neymar”. Mesmo bem marcado, pode ter um lampejo, aproveitar um deslize de seu carrasco, e fazer um gol improvável, como fez Messi contra o Irã.

Neymar tem o mesmo DNA alienígena do craque argentino, só não tem a mesma estatura – ainda, que fique claro. Na real: azar dos que não têm um Neymar de quem depender. O que não pode acontecer é ele ficar de fora. E se você ontem sentiu medo de que ele tomasse o segundo cartão amarelo e desfalcasse o Brasil contra o Chile, digo que somos dois. Mas passou, Felipão o tirou do jogo na hora certa e ele está pronto para outra.

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Craques são raros, e sábios são os treinadores que montam o time em função do talento deles. Inteligentes são os jogadores que oferecem seu suor para que o outro, mais apto, brilhe. Que nesses dias que antecedem ao primeiro mata-mata da Copa, Daniel Alves aprimore sua marcação, Fred melhore o pivô, Oscar encontre um jeito de criar mais. E que, sobretudo, Felipão crave a troca de Paulinho por Fernandinho. Porque tudo indica que o meio de campo ficará mais consistente. A unanimidade, às vezes, não é tão burra… Assim ficará mais fácil depender de Neymar.

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