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Agentes Fifa e empresários ligados a Ricardo Teixeira aparecem na lista do Swissleaks

Reinaldo Pitta, Eduardo Uram, Richard Alda, Renato Tiraboschi e Octavio Koeler mantiveram contas no HSBC da Suíça, revela investigação

Por Da Redação - 30 mar 2015, 11h10

Dos 8.667 brasileiros que apareceram na lista de clientes do banco HSBC na Suíça, em investigação conhecida como Swissleaks, ao menos cinco estão ligados ao futebol do país. Três agentes de jogadores – Reinaldo Pitta, Eduardo Uram e Richard Alda – e dois empresários ligados ao ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, – Renato Tiraboschi e Octavio Koeler – mantiveram contas numeradas no banco, segundo informações do site Uol e do O Globo desta segunda-feira. Todos os empresários negaram qualquer irregularidade em suas movimentações financeiras ao jornal.

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Um dos agentes Fifa citados na investigação, Reinaldo Pitta se tornou conhecido na década de 1990 como o primeiro empresário do ex-atacante Ronaldo Fenômeno. Ele pagou 7.500 dólares para tirar Ronaldo do pequeno São Cristóvão, quando ele tinha 14 anos, e depois obteve lucros exorbitantes com a ascensão do atleta ao posto de melhor jogador do mundo. Atualmente, Pitta é dono da RP4 Football Management e agencia jogadores como Emerson Sheik, do Corinthians, e Paulo Victor, do Flamengo.

O nome de Pitta aparece nas planilhas do HSBC devido a uma conta aberta e fechada no mesmo dia: 20 de julho de 2000. O agente esteve envolvido em diversos escândalos, e chegou a ser preso duas vezes, em 2003 e 2005, e investigado na CPI do Futebol, em 1999. As acusações contra ele, no entanto, foram arquivadas pelo Superior Tribunal de Justiça, no início deste mês.

Eduardo Uram, por sua vez, é um dos empresários de futebol mais influentes do momento. Dono da Brazil Soccer, ele agencia o lateral Léo Moura, que recentemente trocou o Flamengo pelo Fort Lauderdale Strikers, dos Estados Unidos, entre outros jogadores de renome. Sua conta no HSBC eram compartilhada com outras três pessoas, de mesmo sobrenome. Ela foi aberta em 14 de junho de 1989 e tinha 343.000 dólares em 2006/2007. Já Richard Alda, que foi responsável pela transferência do lateral Marcelo do Fluminense para o Real Madrid, teve conta no banco suíço entre 1995 e maio de 2005. Ele é dono da FP Marketing Esportivo.

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Teixeira – Os empresários Renato Tiraboschi e Octavio Koeler eram sócios e amigos de Ricardo Teixeira e já estiveram envolvidos no relatório da CPI do Futebol, no início dos anos 2000. Tiraboschi e Koeler mantinham uma conta conjunta no HSBC associada à empresa Geriba ZKR, aberta em maio de 1989 e fechada em junho de 1991.

Após o título mundial de 1994, integrantes da seleção brasileira voltaram ao país com 14,4 toneladas de bagagem não declarada à Receita Federal, em episódio que ficou conhecido como “o voo da muamba”. Vários dos produtos trazidos dos Estados Unidos por RicardoTeixeira eram equipamentos destinados à choperia El Turf, que ele mantinha no Rio de Janeiro em parceria com Tiraboschi e Koeler. De acordo com O Globo, este foi o primeiro sinal da relação entre a CBF e a dupla de empresários – contratos da entidade que regula o futebol nacional com a AmBev e com corretora de câmbio Swap também teriam beneficiado as empresas de Tiraboschi e Koeler.

De acordo com a legislação brasileira, manter contas bancárias no exterior não é crime. Crime é possuir as contas e não declará-las à Receita Federal – o que configuraria, no mínimo, evasão de divisas. Várias personalidades do esporte tiveram seus nomes ligados ao escândalo do Swissleaks, como os pilotos Michael Schumacher e Fernando Alonso, o atacante uruguaio Diego Forlán e o tenista russo Marat Safin, entre outros.

Swissleaks

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A investigação é uma verdadeira viagem ao coração da fraude fiscal e revela os artifícios utilizados para dissimular dinheiro não declarado. Segundo as informações, baseadas em arquivos bancários retirados do HSBC Suíça pelo ex-funcionário Hervé Falciani, quase 180 bilhões de dólares teriam transitado por contas do HSBC em Genebra, para fraudar o fisco, lavar dinheiro sujo, ou financiar o terrorismo internacional.

Analisados por 154 repórteres de 47 países, os dados correspondem ao período que vai de 1988 a 2007. Bilhões teriam transitado por essas contas de Genebra, dissimuladas, entre outras, por estruturas offshore no Panamá e nas Ilhas Virgens britânicas.

Várias personalidades políticas, do mundo do entretenimento, do esporte e dos negócios são citadas pela imprensa internacional em uma investigação que revela a face oculta do sigilo bancário na Suíça.

(da redação)

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