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Agência mundial antidoping diminuirá punição por uso de maconha e cocaína

A WADA decidiu rever as penas dadas aos atletas que forem flagrados com drogas de uso recreativo em seus exames

Por Da Redação Atualizado em 6 dez 2019, 13h31 - Publicado em 6 dez 2019, 13h22

Na última conferência da Agência Mundial Antidoping, a Wada, realizada em novembro na Polônia, foi aprovada uma mudança significativa na forma como o principal órgão fiscalizador do esporte internacional encara drogas consideradas recreativas, como a maconha e a cocaína. De acordo com o novo entendimento, o uso dessas substâncias deixará de ser passível de suspensão imediata de até quatro anos para uma punição mais branda: uma advertência acompanhada de um gancho de somente três meses, desde que seja provado que seu uso aconteceu fora de competição.

A revisão será incluída no Código Antidoping da Wada a partir de 2021, portanto não vale para a próxima grande competição mundial: os Jogos Olímpicos de Tóquio, entre julho e agosto de 2020. Um porta-voz da agência disse à publicação Cycling Weekly que embora o uso de maconha ou cocaína não fosse proibido nos períodos fora de competição, por vezes sua presença era detectada em amostras colhidas durante os eventos.

“Percebemos que nos casos em que um atleta tem um problema com drogas e não está buscando ou se beneficiando de um aumento de desempenho, a prioridade deve ser voltada para sua saúde em vez de lhe impor uma dura sanção esportiva”, disse James Fitzgerald, da Wada. Esse, por exemplo, é o principal argumento de atletas flagrados com drogas recreativas recentemente, caso do skatista brasileiro Pedro Barros.

Em entrevista recente a VEJA, o atleta descreveu em detalhes sua opinião sobre o assunto.”O que é bom pra mim não é necessariamente bom pra você. Mas um atleta passa por muitas lesões, visíveis ou não. Ele pode não estar machucado no joelho, pode não estar machucado no braço, com um ralado, mas poucos sabem o tanto de stress que passa na cabeça dele durante uma competição. O tanto de impacto que o cérebro dele passa pelas quedas. Ninguém vê essas lesões. Elas podem se manifestar como uma ansiedade, como uma síndrome do pânico, uma depressão, as vezes até mais adiante nas nossas vidas. Dores como essas são difíceis de se resolver. Então alternativas como a cannabis podem ter essa força de cura.”

  • A lista de substâncias que serão enquadradas neste novo entendimento ainda será divulgado pela Agência Mundial Antidoping. O atleta ainda poderá diminuir a suspensão para apenas um mês se ele completar um programa de reabilitação, que tenha como foco principal a saúde do atleta flagrado com a substância proibida. Caso fique provado que o uso aconteceu durante a competição, mas não teve como objetivo a melhora do desempenho, a suspensão cairá de quatro para dois anos.

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