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Africanos dominam, mais uma vez, a corrida de São Silvestre

Mais uma vez, os africanos faturaram a Corrida de São Silvestre, em São Paulo. Na 91ª edição da mais tradicional prova de rua da América Latina, o topo do pódio ficou com a etíope Yimer Wude Ayalew, na disputa feminina, e o queniano Stanley Biwott, na masculina.

Entre as mulheres, mesmo sem o título, o Brasil melhorou sua classificação em relação a 2014, quando Joziane Cardoso foi a mais bem posicionada, em oitavo lugar. Desta vez, Sueli Pereira, atleta do Cruzeiro, terminou com o quarto posto após liderar boa parte da prova. Ela foi seguida pela própria Cardoso, que completou o pódio.

Os primeiros minutos de prova não foram diferentes do que normalmente acontece em cada prova, em que as integrantes do pelotão de elite correm juntos. No entanto, a partir do quilômetro 4, a brasileira Roselaine Sousa, que treina na equipe de Márcia Narloch, imprimiu ritmo forte e se distanciou das principais competidoras, assumindo a liderança nas redondezas do Estádio Pacaembu.

No entanto, chegando à metade do percurso de 15 km, Roselaine já não estava mais na ponta, que era dominada por nove fundistas, entre elas as brasileiras Sueli Pereira e Joziane Cardoso, além da atual campeã, a etíope Yimer Wude Ayalew, e as quenianas Maurine Kipchumba, vencedora de 2012, e Carolyne Komen.

Já na parte em que as atletas passam pelo cruzamento das Avenidas Ipiranga e São João, no centro de São Paulo, atingindo o décimo quilômetro do percurso, Sueli apareceu um pouco à frente das rivais africanas e de sua compatriota Joziane, cenário sustentado quando elas passaram pelo Theatro Municipal, na região da Sé.

No ponto mais crítico da prova, na subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, altura do quilômetro 12, cinco corredoras se mantiveram no primeiro pelotão, entre elas as duas brasileiras. Só que nos últimos 600 metros, as atletas africanas se desgarraram, com a disputa sendo concentrada entre a etíope Ayalew e a queniana Delvine Meringor.

Na reta final da Avenida Paulista, Ayalew, campeã de 2014, repetiu o feito do ano passado e apertou o passo nos instantes finais para conquistar pela segunda vez a São Silvestre. Sueli e Joziane, que caíram de rendimento nos metros finais, terminaram na quarta e quinta colocações, respectivamente.

Na prova masculina, Biwott confirmou seu favoritismo. Vencedor da Maratona de Nova York, ele esteve no grupo de ponteiros desde os metros iniciais e cruzou a linha de chegada em frente à Fundação Cásper Líbero em primeiro, seguido por Leul Gebresilase, da Etiópia. O melhor brasileiro na disputa uma vez mais foi o mineiro Giovani dos Santos. O atleta da equipe Pé de Vento ficou com a quinta colocação. É o quarto ano consecutivo que ele é o principal atleta nacional na prova.

O Brasil não tem um vencedor da Corrida Internacional de São Silvestre desde 2010, ano em que Marílson Gomes dos Santos conquistou seu terceiro título. Desde então, apenas atletas africanos subiram ao lugar mais alto do pódio.

Nesta quinta-feira, o grupo de corredores da África puxou o pelotão desde os primeiros quilômetros, liderado muitas vezes pelo queniano Stanley Biwott, um dos favoritos ao título por ter vencido a tradicional Maratona de Nova York. Campeão na temporada passada, o etíope Dawit Admasu também tentou puxar o ritmo no trecho inicial.

Melhor brasileiro nos últimos anos, Giovani dos Santos tentou se manter no grupo de elite esperando um vacilo dos adversários para buscar a ponta, mas acabou ficando para trás após a primeira metade.

Biwott continuou ditando o ritmo da prova, cada vez com menos atletas em sua cola. O ritmo do campeão da Maratona de Nova York fez ainda mais diferença na temida subida da Avenida Brigadeiro Luis Antônio, em que a briga pela vitória ficou polarizada entre ele e o etíope Leul Gebresilase.

O vencedor foi decidido apenas nos metros finais. Biwott chegou a ter seu triunfo ameaçado, mas conseguiu resistir aos ataques do rival e foi o primeiro a cruzar a linha de chegada na Avenida Paulista.

Balanço – Trinta mil corredores participaram São Silvestre. Ao lado de corredores de elite, atletas anônimos de todo o Brasil participam da prova que tem 15 quilômetros de trajeto, percorrendo pontos da região central de São Paulo. Às 8h40 foi a largada das atletas do feminino e pouco depois, às 9h, largaram os atletas do masculino. Os atletas de ponta foram seguidos por um mar de pessoas com mensagens, fantasias e disposição para completar a prova.

(Com Gazeta Press)