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Adilson: ‘Cruyff desrespeitou os mitos Raí e Telê Santana’

Poucas coisas parecem ser capazes de tirar o ex-zagueiro Adilson do sério. Discreto, dono de uma fala mansa e de fisionomia tranquila, ele dá a impressão de estar sempre calmo, mas ficou incomodado com a soberba do holandês Johan Cruyff, técnico do Barcelona, às vésperas do Mundial de 1992.

Convidado do especial ‘Mundo Tricolor’, homenagem da TV Gazeta aos jogadores que levaram o São Paulo pela primeira vez ao topo do planeta, o ex-atleta concedeu rápida entrevista à Gazeta Esportiva.Net pouco antes da gravação do programa que vai ao ar neste domingo, às 21h30.

Além de lembrar do salto alto azul-grená – Cruyff disse que não temia os atacantes tricolores e abdicou de treinar pênaltis por acreditar que o título seria resolvido no tempo normal -, Adilson declara amor ao clube do Morumbi, lembra do bom ambiente entre os jogadores no início da década de 1990 e dá seus palpites sobre a má fase recente vivida pelo time.GE.Net: Você lembra dos dias que antecederam o confronto com o Barcelona? Os espanhóis chegaram ao Japão muito confiantes.

Adilson: Eles ficaram chateados com o São Paulo porque ganhamos deles por 4 a 1 no Torneio Teresa Herrera, na Espanha, no meio do ano. Isso deve ter motivado o Cruyff a falar tanta besteira como falou, mas no final deu tudo certo para nós e até hoje fico muito feliz com isso. Ele não respeitou Raí e Telê Santana que já naquela época eram mitos e estavam em um patamar muito alto.

GE.Net: Ainda acompanha o São Paulo?

Adilson: Acompanho sempre, eu amo o São Paulo. A gente não vê aquela garra de antigamente. Não sei o que acontece, vejo só de longe e, para dar opinião sobre alguma coisa, é importante estar vivenciando aquilo, estar dentro do grupo para saber o que acontece. Como eu não sei, não posso falar muito.

GE.Net: Então você se considera um torcedor são-paulino?

Adilson: Eu gosto do São Paulo e gosto do Juventude, mas em primeiro lugar no coração está o São Paulo.

GE.Net: Está faltando esse sentimento aos jogadores atuais?

Adilson: Eu não recrimino os caras por pensarem no dinheiro. Os clubes hoje são assim: se está bem, ótimo, se não está bem, manda embora e não quer nem saber. Os jogadores têm que correr atrás da parte financeira mesmo, mas naquele nosso tempo você tinha que jogar um ano bem para poder renovar. Hoje, o cara faz contrato de cinco anos de cara e não esquenta muito, sabe que o empresário vai arrumar um lugar para ele jogar depois.

GE.Net: Lembra de alguma história curiosa do grupo de 1992?

Adilson: São muito fatos engraçados. Uma vez fomos jogar um torneio em Barcelona e estávamos sentados na rua esperando o início do treinamento quando chegou o Macedo, com aquela simplicidade dele, e disse assim: ‘nossa, aqui só tem carro importado’. Começamos a rir muito, essas coisas faziam a alegria do grupo, o ambiente era muito saudável.

GE.Net: Como está sua vida apóa a aposentadoria?

Adilson: Trabalho na prefeitura de Cruzeiro (no Vale do Paraíba), no departamento de esportes, e tenho uma escolinha de futebol.

GE.Net: Tem um recado para a torcida do São Paulo sobre os 20 anos do título Mundial?

Adilson: Gostaria que eles comemorassem. Eu ficaria muito feliz se a torcida fizesse uma homenagem no estádio. Ver o pessoal cantando o nome dos jogadores ou fazendo qualquer tipo de lembrança já me deixaria muito feliz, mesmo estando longe.