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Adílio: ‘Jesus entendeu o que é o Flamengo, por isso o time é um sucesso’

Meio-campista campeão mundial pelo clube em 1981 elogiou a atual equipe e espera uma vitória sem sustos na final da Libertadores

Por Alexandre Senechal - Atualizado em 22 nov 2019, 12h24 - Publicado em 22 nov 2019, 12h22

Se existe alguém que conhece a fundo as engrenagens do Flamengo, esse alguém é Adílio. Tricampeão brasileiro e campeão da Libertadores e do Mundial em 1981, o ex-jogador de 63 anos fez parte de uma geração tida por muitos torcedores como a melhor da história do clube. Aquele time conquistou essa aura porque jogava sempre buscando o ataque. Para ele, o grupo atual também encanta muito por conta do trabalho do seu treinador, o português Jorge Jesus, que conseguiu recuperar a essência dos grandes conjuntos rubro-negros.

“Há cinco meses, ninguém sabia qual era o time titular do Flamengo. Ele [Jesus] entendeu o que é o Flamengo, colocou isso em prática e por isso o time é um sucesso”, afirmou Adílio em entrevista a VEJA por telefone. “O trabalho do Jesus é muito bom. Ele fez a leitura do que é Flamengo, sabe que o time vai pra frente mesmo, junto com a torcida. Criou uma química”, completou.

Capa de PLACAR com Adílio, em 28 de outubro de 1983 //Placar

Mas uma dúvida paira no ar: a boa fase do Flamengo de 2019 já permite traçar paralelos com aquela equipe que ganhou todos os troféus possíveis nos anos 1980? O ídolo do clube explica que existem diferenças de estilos entre os dois times. “A gente partia para cima e tinha que driblar um, dois, três. Essa turma toca muito a bola até chegar ao gol, mas é um time que joga no ataque, e isso é algo que a gente também fazia”.

Adílio alerta os que acreditam que o Flamengo de Jorge Jesus já pode ser comparado com os campeões mundiais de 1981. “Eles têm a oportunidade de ganhar a Libertadores e o Mundial e a gente fica muito feliz com isso. Só que a nossa geração ganhou tudo mesmo. Brasileiros pra caramba, o Ramón de Carranza na Europa. E éramos prata da casa, né? Todo mundo começou aqui na Gávea. Por isso tem muita diferença”, ponderou.

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O ex-jogador tem seu palpite para o jogo e até elencou o seu favorito para marcar. “Se fizer dois a zerinho, tá bom pra caramba. Pra não ter susto. Queria que o Gerson fizesse um gol”, revelou. Ele também acredita que o River Plate deve ter cuidado com Gabigol, artilheiro da Libertadores com sete bolas na rede. “Se cochilar com ele, é um abraço”.

Adílio trabalha atualmente no departamento social do clube e é o presidente de uma associação de ex-atletas, a Flamaster, que realiza jogos, visita embaixadas de torcedores em várias cidades do país e participa de eventos. Uma das funções da organização é ajudar jogadores que passaram pelo Flamengo e estão em situação de fragilidade.

Adílio, do Flamengo, mandando um beijo para comemorar um gol contra o Bangu, durante jogo do Campeonato Carioca de Futebol, no Estádio do Maracanã. Ricardo Beliel/Placar
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