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Acusado de corrupção, Ricardo Teixeira renuncia à presidência da CBF

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, renunciou definitivamente ao cargo que ocupava desde 1989, e também deixou a Presidência no Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014, informou a CBF nesta segunda-feira.

Na última quinta-feira, o dirigente tinha pedido licença médica. A renúncia definitiva de Teixeira foi anunciada nesta segunda-feira à tarde pelo presidente em exercício da CBF, José Maria Marin, numa coletiva de imprensa organizada na sede da entidade, no Rio de Janeiro.

“Hoje deixo definitivamente a Presidência da CBF”, disse Teixeira numa carta lida por Marin.

A renúncia do dirigente já estava sendo esperada há algumas semanas, devido a acusações de corrupção.

Teixeira, que sempre defendeu sua inocência, foi acusado de ter recebido propinas da empresa de marketing ISL no fim dos anos 1990 e, mais recentemente, teve seu nome associado a um caso de superfaturamento do amistoso entre Brasil e Portugal, em 2008.

Entre 2000 e 2001, Teixeira também foi investigado por enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal envolvendo os negócios da CBF com a Nike, patrocinadora da seleção brasileira.

Essas acusações acabaram com seu sonho de chegar à Presidência da Fifa, no lugar do suíço Joseph Blatter, com quem manteve relações tensas nos últimos anos.

Na sua carta, ele lembrou os títulos conquistados pela seleção brasileira desde que assumiu o cargo em 1989 (as Copa do Mundo de 1994 e 2002, três Copas das Confederações e cinco Copas Américas) e considera “injustas” as acusações feitas contra ele.

“Presidir paixões não é uma tarefa fácil. Futebol em nosso país é associado a duas imagens: talento e desorganização. Quando ganhamos, exaltam o talento; quando perdemos, a desorganização”, escreveu.

“Fiz o que estava ao meu alcance. Renunciei à saúde. Fui criticado nas derrotas e subvalorizado nas vitórias”, completou.

Durante seu mandato, o ex-dirigente obteve da Fifa a escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 e firmou contratos de patrocínio milionários para a seleção.

No dia 29 de fevereiro, Teixeira reuniu a assembleia geral da CBF e, apesar das críticas, recebeu o apoio unânime das 27 federações para continuar seu mandado até 2015.

José Maria Marin, de 79 anos, ex-governador de São Paulo, substitui Teixeira à frente da CBF e do conselho de administração do COL, também composto pelos ex-craques Ronaldo e Bebeto.

Marin já se envolveu numa polêmica no último mês de janeiro, quando foi flagarado por câmeras de televisão escondendo no seu bolso uma medalha destinada a jovens jogadores do Corinthians durante a premiação da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) chegou a explicar que o prêmio era mesmo destinado a Marin, mas um dos goleiros do Corinthians ficou sem sua medalha, que só foi enviada depois da premiação pela entidade.