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A volta de Cuca ao Palmeiras: sem sorrisos, nem promessas

Treinador tentou tirar a pressão da equipe por títulos e disse que carinho pelo clube e conhecimento da casa foram decisivos para seu retorno

Por Da redação - Atualizado em 9 May 2017, 16h09 - Publicado em 9 May 2017, 16h00

O técnico Cuca retornou ao Palmeiras nesta terça-feira, pouco mais de cinco meses depois de conquistar o título brasileiro pela equipe. Sua apresentação foi digna de um ídolo, com a sala lotada de jornalistas, mas seu semblante de preocupação contrastava com a animação de torcedores e dirigentes com seu retorno. O treinador se esforçou para conter a pressão em relação a conquistas importantes, sobretudo a Libertadores. “Temos necessidade de buscar o título, mas não obrigação.”

Cuca posou com o novo uniforme do clube e recebeu as boas-vindas do presidente Maurício Galiotte e de Leila Pereira, dona dos patrocinadores do clube, e admitiu ter tido dúvidas para aceitar o convite da diretoria após a demissão de Eduardo Baptista.

“Estava com alguma dúvida, sinceramente, em voltar, porque é muito precoce, muito em cima. (…) Um dos motivos principais que me fez vir foi o conhecimento de casa que tenho. É um trabalho muito difícil, uma responsabilidade ainda maior, mas com conhecimento de casa bom, o que abrevia o trabalho. Todos sabem o carinho que tenho pelo clube”, disse o técnico, que dirigiu o Palmeiras na conquista do Brasileirão de 2016, quebrando um jejum de 22 anos. 

O treinador, que no ano passado “prometeu” a conquista do Brasileirão logo no início do torneio, desta vez acredita que o time precisa de mais tranquilidade. “Hoje, se o Palmeiras ganhar de 1 x 0 será questionado, porque não convenceu. (…) Vendo de fora, acho que é algo desnecessário puxar isso. A responsabilidade existe, não precisa falar nela todo dia.”

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Um raro momento em que Cuca se permitiu esboçar um sorriso foi quando perguntado sobre sua calça vinho, um sucesso entre os palmeirenses. “Eu deixei essa calça com o Palmeiras, o pessoal me pediu e eu deixei, 350 reais”, comentou, sem dizer se comprará um novo amuleto ou pedirá a roupa de volta.

Abaixo, outros trechos da entrevista:

Eduardo Baptista – “O Eduardo passou uma sensação muito boa para quem assistia aos jogos, sobre ficar com a posse de bola, controlar o jogo. Infelizmente, não chegou à final paulista. Em diversas ocasiões, a gente viu o Palmeiras jogando bem, buscando o resultado, com alma. Particularmente, acho que ele fez um trabalho bom (…) Com certeza em breve ele estará trabalhando em um grande clube de novo.

Pressão desnecessária – O Palmeiras se autopressionou por achar que vai ganhar tudo. Acho que foi prejudicial até para o Eduardo, porque no primeiro campeonato que ele não ganhou teve cobrança muito grande. E ele tinha campanha muito boa em percentual de pontos. Isso atinge o treinador, o jogador, que fica pressionado. O Palmeiras investiu muito, mas o futebol não é assim”

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Sequência no trabalho – “Aquela equipe está aí, foi a melhor do Paulista em pontos. Teve um dia ruim em Campinas e acabou ficando fora. É uma continuação do Eduardo. Uma ou outra coisa minha, que eu vou pôr. O jogador tem de entender que em competição de mata-mata, não tem direito de ter dia ruim, senão fica fora.”

Relacionamento com o elenco – “Mas sempre tive ambiente bom. Nunca briguei com Alexandre Mattos ou jogador. Tem situações que você tem que pôr o dedo, e eu faço isso, como posso voltar a fazer, sempre no afã de melhorar o time, o jogador ou a pessoa.”

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