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A ‘três degraus do céu’, Brasil vai encarar equipe iluminada

Colômbia chega às quartas com quatro vitórias (Brasil tem só duas), mais gols marcados e menos gols sofridos. Na sexta, será ela o time mais leve e criativo

O duelo de sexta pode ter uma característica inesperada, com uma inversão dos papéis históricos das equipes – e a Colômbia como seleção mais leve, criativa e goleadora do confronto

Depois da batalha contra o Chile no sábado, no Mineirão, o técnico Luiz Felipe Scolari deu início à sua contagem regressiva até o hexa, mesmo com uma trajetória mais atribulada do que se imaginava. “Existe apreensão da nossa parte, mas vamos superando tudo isso com as vitórias. Contra o Chile, foi o quarto degrau. Agora faltam três para que a gente alcance o céu”, afirmou, em referência às quartas, semis e à grande final, em 13 de julho, no Rio de Janeiro. A primeira escala será Fortaleza. Antes de embarcar rumo ao Ceará, porém, Felipão comanda nesta segunda-feira o início dos preparativos para a segunda partida eliminatória do Brasil na Copa. Serão quatro dias de trabalho intenso, na Granja Comary e no Castelão, até o jogo de sexta – afinal, o adversário que vem pela frente está embalado e confiante. E não �apenas isso: de acordo com os números das duas seleções no torneio, a Colômbia, uma das sensações da Copa do Mundo, pode ser tratada como uma seleção superior ao Brasil, pelo menos nesta campanha. “Temos uma boa seleção, mas não somos melhores nem piores que os demais times”, disse Scolari no sábado.

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Para Felipão, sofrimento também pode ser um bom treino​

Ao avaliar a equipe colombiana, Felipão elogiou o futebol “solto, rápido e envolvente” d�o próximo adversário. E as estatísticas do time treinado por José Pekerman, argentino de 64 anos, confirmam as impressões do técnico brasileiro. Depois de quatro jogos disputados neste Mundial, a Colômbia somou onze gols, três a mais do que os oito do Brasil. A seleção pentacampeã chuta mais a gol, mas seu aproveitamento é menor. E a superioridade do oponente das quartas não se restringe ao setor ofensivo. A Colômbia sofreu dois gols no torneio, enquanto o Brasil tomou três. Foram dois jogos dos colombianos sem sofrer gol e apenas um do Brasil. As duas seleções estão quase empatadas no total de faltas cometidas (65 do Brasil, 67 da Colômbia), mas a equipe da casa acumulou oito cartões amarelos contra apenas três dos colombianos, que chegam sem nenhum atleta suspenso (o Brasil não terá Luiz Gustavo). No geral, o adversário de sexta soma quatro vitórias, 100% de aproveitamento. O Brasil chega às quartas com duas vitórias e dois empates.

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Outros dados, no entanto, podem servir para animar os brasileiros. Se os resultados obtidos pelos colombianos são mais expressivos, o detalhamento das estatísticas do time da casa e do vizinho sul-americano retratam equipes que percorreram caminhos bem diferentes até aqui. Depois de jogos muito duros contra Croácia e Camarões, mas principalmente México e Chile, dois empates disputados sob tensão�, o Brasil dos números é uma equipe mais competitiva, que joga um futebol mais intenso, de força e pressão. Com média de posse de bola superior (54% contra 46%), o Brasil troca mais passes (1.339 contra 1.060), ganha mais disputas de bola (55% contra 47%) e é melhor nas� jogadas aéreas (63% contra só 45% dos colombianos). Não por coincidência, o time de Felipão faz mais cruzamentos (17 certos e 61 errados, contra 9 certos e 29 errados do rival). Assim, o duelo de sexta pode ter uma característica inesperada, com uma inversão dos papéis históricos das equipes: a seleção pentacampeã pode entrar como o time pragmático, forte e brigador, enquanto a adversária, pela primeira vez nas quartas, aparecerá como a seleção mais leve, criativa e goleadora do confronto.