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A três anos dos Jogos, a dura realidade da cidade olímpica

Há duas cidades-sede da Olimpíada de 2016. Uma existe só na imaginação de seus organizadores. A outra - a real - oferece condições precárias ao esporte

Por Da Redação - 20 abr 2013, 10h59

Ainda há várias indefinições – e mesmo os locais de competição já escolhidos têm obstáculos monumentais a serem superados

Fosse uma prova de atletismo, a realização de uma Olimpíada seria uma corrida de 10.000 metros: uma das competições mais espetaculares dos Jogos, ela exige de seus participantes uma combinação hercúlea de resistência, regularidade e velocidade. São nada menos que 25 voltas ao redor da pista. Vacilar em apenas uma delas pode ser o bastante para tornar a recuperação impossível. No caso da Rio-2016, a distância percorrida até agora é muito menor do que o caminho que falta a percorrer. O problema é que essa corrida tem hora marcada para acabar. Quando a cidade foi escolhida para sediar a primeira Olimpíada na América Latina, em outubro de 2009, faltavam pouco mais de 2.400 dias para a cerimônia de abertura, marcada para 5 de agosto de 2016. Na próxima terça, a contagem regressiva chegará aos 1.200 dias, o meio do percurso até os Jogos. A cidade olímpica, contudo, não consegue nem sequer avistar a linha de chegada.

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No meio do caminho. E ainda empacados

Em outubro de 2009, VEJA publicou uma reportagem especial sobre a vitória da candidatura olímpica do Rio de Janeiro. Na ocasião, já existia a preocupação com o tempo que a cidade teria para construir as instalações esportivas e melhorar a sua infraestrutura. Faltavam pouco mais de 2.400 dias. Metade desse prazo já passou – e muito pouco se concretizou até agora. Relembre o que dizia VEJA quando a aventura olímpica começou:

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Vai dar certo. Mas não por milagre. Organizar uma Olimpíada, a primeira na América do Sul, é uma empreitada grandiosa, modernizadora e civilizatória. Em muitos aspectos, o Rio de Janeiro voltou a ser a capital do Brasil. Volta a ser o centro das atenções internacionais não mais por ter uma população refém do crime organizado, mas pela capacidade de seus moradores e governos de se organizar de tal forma que o crime passará a ser o que é em toda grande metrópole – uma moléstia urbana crônica, se não curável, pelo menos tratável. O melhor indicador de que uma cidade ficou pronta para sediar uma Olimpíada é ela estar pronta para viver bem e receber com segurança seus visitantes.

Quando espocarem os fogos da cerimônia de abertura da Rio 2016, daqui a pouco mais de 2.400 dias, a cidade estará sendo devolvida a seus moradores, a seu passado de glórias artísticas, culturais e esportivas. Os fogos celebrarão a paz entre o Rio de Janeiro e a natureza inigualável, dando fim a uma guerra de desgaste sem tréguas que vitimou a baía mais estonteante do planeta e fazia terra arrasada das matas que a emolduram. Os fogos, principalmente, marcarão o retorno do Rio de Janeiro à rota da normalidade medida pelos padrões mundiais de civilidade e progresso que foram sua grande força motriz até os anos 50. Como ocorreu antes com as cidades que retomaram sua vocação de grandeza histórica ao sediar uma Olimpíada, caso clássico de Barcelona em 1992, os prognósticos para o Rio são extraordinários. Desperdiçar essa chance entregue aos cariocas e a todos os brasileiros na sexta-feira passada em Copenhague não é uma opção. Agora é vencer ou vencer.

O caminho para a vitória tem de ser contado em dias, e não em meses ou anos. Cada dia perdido na organização precisa ser compensado nas 24 horas seguintes – essa é a valiosa lição deixada por Barcelona e que agora pesa sobre os ombros de Londres. Existem muitas variáveis, mas nada pode mudar o fato de que os Jogos Olímpicos têm um dia para começar, e essa data não é negociável. O cronômetro foi acionado e a contagem regressiva já começou. Cidades que sediaram as Olimpíadas modernas antes do Rio de Janeiro aprenderam a duras penas que boa parte dos obstáculos são aqueles que desafiam o planejamento – os imprevistos. Resta evidente que o Rio e o Brasil têm de correr. Correr não, voar!

ACERVO DIGITAL: Leia a reportagem especial sobre a Rio-20016, da edição de 7/10/2009, na íntegra

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