Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

A seleção brasileira dos secadores, um time dos sonhos

Os craques esquecidos por Scolari formam um esquadrão de respeito. Eles dizem que torcem pelos colegas, claro. Mas dependem da desgraça alheia para ir à Copa das Confederações ou entrar no grupo para o Mundial de 2014

Eles negarão uma, duas, três, uma dúzia de vezes, se for preciso. Mas não há como ignorar que, em época de convocação para competições importantes, os jogadores esquecidos pelas listas dos treinadores se transformam no que a gíria futebolística definiu como secadores. Normalmente reservado aos torcedores, o papel de desejar ardentemente a desgraça alheia ganha no mundo dos atletas profissionais contornos delicados. Certamente, nenhum atleta quer ver um companheiro de profissão permanentemente afastado dos campos por lesão. Mas torcer por um leve estiramento, uma pequena fratura no dedão ou mesmo uma indolor conjuntivite – qualquer moléstia que tire o colega do torneio e abra uma nova chance de convocação – é algo que, ao menos na visão dos craques, os deuses do futebol perdoam.

Leia também:

Felipão surpreende com jovens; Gaúcho e Kaká estão fora

‘Nem acreditei’, diz Bernard. ‘Feliz demais’, festeja Neymar

Felipão: um conservador que gosta de viver perigosamente

Do brilho à desilusão: o fim da linha para Gaúcho e Kaká?

Felipão diz estar pronto para cobranças: ‘O pau vai comer’

Acompanhe VEJA Esporte no Facebook

Siga VEJA Esporte no Twitter

Eles não estão de olho apenas nos preparativos para a Copa das Confederações, é claro. Quem der mole no torneio e não aproveitar sua chance pode abrir uma nova vaga no grupo para 2014. Mas o retrospecto da seleção, que costuma mudar pouco entre o torneio preparatório e o Mundial no ano seguinte, aumenta a cobiça por um chamado de última hora para o torneio do mês que vem. A apresentação dos convocados acontece no dia 27 de maio; somando-se os primeiros dias de treinamentos, antes que se encerre o prazo para a troca de atletas, os ignorados terão quase duas semanas para torcer para a bruxa aparecer e determinar o corte dos ungidos por Scolari. É bom lembrar, contudo, que o feitiço sempre pode virar contra o feiticeiro. Em 1998, as preces de Émerson deram certo e o volante foi chamado para a Copa da França no lugar do contundido Romário; quatro anos depois, porém, o mesmo Émerson, ao brincar de goleiro em um treinamento da seleção, deslocou a clavícula e acabou cortado, abrindo espaço para o meia Ricardinho. Aos astros desta seleção imaginária, portanto, vale um aviso: sequem com moderação.