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A redenção de Ronaldinho – agora, herói também no Brasil

O Gaúcho foi campeão da Europa e do mundo, mas jamais havia conquistado um grande título por um clube brasileiro. A Libertadores encerrou essa escrita

Com a medalha de campeão das Américas no pescoço, Ronaldinho Gaúcho agora mira nos próximos objetivos: além do Mundial de Clubes, contra o Bayern de Munique, em dezembro, o retorno à seleção brasileira para a Copa de 2014

Ele é inconfundível: o cabelo comprido preso por uma faixa, a ginga de sambista, o sorriso cheio de dentes. É difícil Ronaldinho Gaúcho passar despercebido, seja dentro de campo, seja fora dele. Até por isso, suas atuações marcantes na noite – em Barcelona, Milão, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte – nunca foram fáceis de esconder. E foi sob essa marca, a do baladeiro incorrigível, que o craque chegou a Belo Horizonte, após uma polêmica rescisão de contrato com o Flamengo. Ronaldinho não virou monge na agitada e agradável capital mineira, evidentemente. Mas o gosto pelas diversões noturnas não impediu que o astro de 33 anos recuperasse a boa forma e a inspiração, reconstruísse sua imagem perante o torcedor brasileiro e liderasse o Atlético-MG à conquista de sua primeira Libertadores – aliás, seu primeiro título de expressão por um time do país. Antes desta quarta-feira, Ronaldinho, campeão da Europa pelo Barcelona e do mundo pela seleção, só havia levantado troféus estaduais com as camisas do Grêmio e do Flamengo. Agora, não apenas está na história do Atlético como também garantiu um lugar entre os principais ídolos de toda a história do clube mineiro.

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A vitória na final contra o Olimpia, nesta quarta, é uma grande virada para o jogador, que chegou em meados de 2012 sob enorme desconfiança. Muitos não acreditavam no potencial do dentuço que mostrou ao mundo um futebol criativo e esfuziante, primeiro no PSG, depois no Barcelona – onde Ronaldinho chegou ao auge e recebeu o prêmio de melhor jogador do mundo em duas oportunidades (2004 e 2005). Motivos para duvidar do sucesso de Ronaldinho em Minas não faltavam. Depois de temporadas fantásticas pelo clube espanhol, ele entrou em claro declínio. Acabou se transferindo para o Milan. Na Itália, até começou bem, mas acabou caindo de produção e amargou a reserva durante boa parte de sua passagem por Milão. Já temendo uma provável ausência na Copa do Mundo de 2014, o jogador decidiu retornar ao Brasil, para reencontrar sua melhor forma e tentar ocupar a vaga de Kaká, em baixa no Real Madrid, na seleção. Após longas negociações com diversos clubes brasileiros, assinou com o Flamengo, em meio a juras de amor eterno ao clube mais popular do país. Poucos meses depois, deixou o clube sob os xingamentos de mercenário e pipoqueiro.

Livre para escolher seu próximo clube, Ronaldinho foi procurado pelo técnico Cuca, que jogou com Assis, irmão e empresário do craque. O técnico do Atlético apostava que conseguiria fazer o atleta voltar a jogar bem – e avisava que conseguiria colocá-lo na linha se fosse preciso. Promessa feita, promessa cumprida. Cuca conseguiu domar o apetite de Ronaldinho pela noite e transformar o veterano no líder do elenco. Em muitos jogos da Libertadores, lembrou o velhor Ronaldinho do Barça, com um futebol vistoso e inventivo. Com passes certeiros, muita aplicação, espírito de luta e faro de goleador – marcou até gol de cabeça, contra o São Paulo, no Morumbi -, Ronaldinho foi o grande protagonista da campanha atleticana até a final. Com a medalha de campeão das Américas no pescoço, Ronaldinho Gaúcho agora mira nos próximos objetivos: além do Mundial de Clubes, contra o Bayern de Munique, em dezembro, o retorno à seleção brasileira para a Copa de 2014. Esquecido na lista de convocados para a Copa das Confederações, Ronaldinho terá de suar a camisa para convencer o técnico Luiz Felipe Scolari a deixar de lado episódios como o atraso na apresentação antes de um amistoso na própria Belo Horizonte. A conquista desta quarta pode ter sido o primeiro passo na direção da última Copa da carreira do craque.