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A proposta do economista Stefan Szymanski para evitar falência dos clubes

'É preciso tomar uma medida drástica: tratar as dívidas independentes como se fossem uma só', diz autor do livro livro 'Soccernomics'

Por Alexandre Salvador, Luiz Felipe Castro Atualizado em 8 Maio 2020, 11h05 - Publicado em 8 Maio 2020, 06h00

O economista Stefan Szymanski, professor do curso de gestão esportiva da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, é um dos mais respeitados analistas do impacto econômico do futebol na sociedade — seu livro Soccernomics, escrito em parceria com Simon Kuper e traduzido para o português, é um best-seller global. Dada a crise financeira causada pelo coronavírus, Szymanski elaborou uma proposta, a qual chamou de “plano de consolidação”, que visa justamente a evitar a falência dos clubes. O economista inglês falou a VEJA, por telefone, e contou detalhes de como o plano funcionaria.

O futebol está à beira da falência? Em circunstâncias normais, um clube que vive problemas financeiros pode falir sem afetar o resto do mercado. O caso atual é diferente: trata-se de uma falha sistêmica. Se aplicarmos as regras de hoje, é provável que grande parte dos times de todo o planeta esteja tecnicamente falida. Na hipótese de um calote em massa, a falência torna-se contagiosa. A meu ver, nesta situação é preciso tomar uma medida drástica: tratar as dívidas independentes como se fossem uma só.

Como seria aplicada essa ideia? Se a interrupção do futebol for longa, é provável que os clubes não tenham dinheiro em caixa para pagar salários ou os valores devidos a outros clubes pela compra e venda de jogadores. O plano é, então, pegar essa quantia que deveria ser desembolsada nos próximos anos e consolidá-la em um fundo. Times e atletas abririam mão desse dinheiro agora para recuperá-lo mais à frente — e haveria como socorrer os mais frágeis. Um modo de crescer o bolo, hoje, seria a venda antecipada de direitos de transmissão, por exemplo, a um investidor que pudesse garantir o funcionamento dos clubes.

Qual o risco dessa proposta? As grandes potências teriam menos a ganhar e poderiam perguntar: “Por que devemos socorrer os pequenos? Nós poderíamos sair dessa sozinhos”. Se os clubes gigantes não embarcarem, não haveria como comercializar os direitos de TV de forma coletiva.

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Essa seria a única saída? Faço uma analogia da situação do futebol com a crise sanitária. Como os médicos nos dizem, a evolução da pandemia depende do que fazemos agora. Podemos tomar precauções e agir de maneira sensata ou negligenciar o problema e cada um se virar sozinho. Com o plano de consolidação, acho que o mercado da bola emergiria com relativa rapidez. Caso contrário, a recuperação seria mais lenta.

Vivemos o estouro de uma bolha? Não. A longo prazo, não vejo nenhuma razão real para pensar que o mercado do futebol diminuirá de tamanho. Penso que, daqui a dez anos, será tão grande, se não maior. A menos que, surpreendentemente, o isolamento faça com que deixemos de amá-lo.

Publicado em VEJA de 13 de maio de 2020, edição nº 2686

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