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À procura do espírito de 2013, Felipão já mexe na seleção

Técnico começou treino com Hernanes como titular, mas logo decidiu colocar Ramires no time, tentando reeditar estilo adotado na Copa das Confederações

“Queria ter� uma semana a mais de concentração. Mas, pensando bem, já está na hora de começar. Chega de esperar. É hora de jogar. Aí pronto, vai ou racha e acabou”

Na véspera do primeiro amistoso de preparação para a estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, o técnico Luiz Felipe Scolari ainda procura sua equipe ideal. Segundo ele, não se trata necessariamente de mudar a escalação ou o esquema de jogo. O que Felipão mais quer é reencontrar o espírito do Brasil que tanto brilhou no ano passado, conquistando a Copa das Confederações e vencendo amistosos contra adversários de respeito. A insatisfação com o treino do último domingo – que tirou o técnico do sério – baseou-se justamente no fato de sua equipe não ter repetido o futebol combativo e dinâmico que fez a seleção crescer tanto em tão pouco tempo em 2013. “�Não podemos perder o que tínhamos como identidade”, pediu Felipão nesta segunda-feira, em Goiânia, onde o time se prepara para enfrentar o Panamá, na terça, no Estádio Serra Dourada. De acordo com o técnico, a identidade vitoriosa do time, que foi cultivada tanto na Copa das Confederações como nos amistosos contra equipes como Inglaterra e França, precisa voltar ao grupo antes da estreia na Copa. “Era aquele estilo, aquele jeito, aquela pegada. Não pode mudar. O básico a gente não pode esquecer. Cobrei ontem, vou cobrar hoje de noite e devo cobrar de novo amanhã antes do jogo.”

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No treino aberto ao público nesta segunda, diante de cerca de 20.000 pessoas, no Estádio Serra Dourada, Felipão não demorou a mudar sua equipe em mais uma tentativa de reviver a pegada da equipe de 2013. Com Paulinho poupado (ele, Thiago Silva e Fernandinho foram poupados e sequer vieram a Goiânia), o técnico havia optado por escalar Hernanes entre os titulares. Logo no início de uma movimentação que durou pouco mais de uma hora, Felipão decidiu mexer no time, trazendo Ramires para a atividade dos onze que deverão começar a partida de terça. “O Ramires disputa posição em dois ou três lugares do campo”, elogiou o técnico. “Para amanhã, é titular como segundo homem do meio-campo.” Felipão negou que sua reclamação pública sobre o desempenho do time no domingo tenha sido apenas uma estratégia para evitar a acomodação do grupo. “Não gostei mesmo, estava bravo”, garantiu. “A gente não pode esquecer que está a pouco mais de uma semana da Copa. Minha função é lembrá-los. Pelo que já conversamos hoje, já dá para esperar um posicionamento correto amanhã. Falta um pouco, mas a partir desse primeiro amistoso já dá para ter uma ideia, um esboço, do que o time vai ser. Espero que a gente consiga notar a evolução depois de uma semana de trabalho. Vamos ver se amanhã a gente engrena antes da segunda etapa de treinos.”

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Scolari se disse satisfeito com a primeira semana de preparação (o grupo se apresentou na segunda-feira passada), com exceção do coletivo que fechou esse período inicial de treinamentos. “Tudo o que foi planejado foi efetuado. Seguimos à risca o cronograma que foi estabelecido. O que não estava estabelecido foi que treinássemos daquela forma.” Ainda assim, o treinador assegura que não se arrepende de nenhuma de suas escolhas antes da Copa – ele negou, por exemplo, que alguns dos convocados estejam decepcionando nos preparativos na Granja Comary. “Todos tinham me agradado até o treino de ontem. Quem dera tivesse feito escolhas tão corretas quanto essas no resto da minha carreira.” Felipão revelou que nem mesmo sua experiência de duas Copas do Mundo (em 2002 com o Brasil e em 2006 com Portugal) é capaz de afastar a ansiedade. “Tem dias que estou tranquilo, que me sinto muito bem. Mas tem outros em que tudo dá errado, em não consigo dormir, em que fico remoendo os problemas.” Mesmo lamentando ter menos tempo de preparação do que em 2002 (são dezesseis dias antes da estreia contra 21 na campanha do penta), o técnico se divide entre o desejo de ter mais tempo para treinar e a vontade de levar a seleção ao gramado para o duelo contra a Croácia, em 12 de junho, no Itaquerão. “Queria ter� uma semana a mais de concentração. Mas, pensando bem, já está na hora de começar. Chega de esperar. É hora de jogar. Aí pronto, vai ou racha e acabou.”

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