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A ordem de Felipão para o Brasil não sofrer tanto: ‘Calma!’

Afobação e ansiedade da seleção em seus três jogos na Copa alarmam técnico, que espera ver uma equipe mais tranquila e focada nas oitavas, contra o Chile

“Ficamos ansiosos demais. Acho que estamos querendo mostrar muito mais, e não precisa. Com tranquilidade, a gente vai fazendo o nosso jogo e construindo o resultado”

A seleção brasileira chegou à Copa do Mundo com status de favorita muito em função do estilo de jogo exibido no ano passado, quando trocou o futebol morno e às vezes até sonolento dos tempos do técnico Mano Menezes por atuações vibrantes e entusiasmadas. A aplicação dos atletas – incluindo Neymar, que também aprendeu a contribuir com a marcação por pressão adotada por Luiz Felipe Scolari – acabou contagiando o torcedor, que trocou sua postura desconfiada dos últimos anos por uma participação muito mais ativa e positiva nos jogos da equipe. A seleção que não despertava a emoção do brasileiro passava, enfim, a ser admirada pelo público. Ao chegar ao Mundial, no entanto, o Brasil parece ter exagerado na dose de energia e empolgação. Sabendo que o público esperava o mesmo time elétrico e incansável da Copa das Confederações, a equipe de Felipão passou um pouco do ponto nas três partidas da primeira fase, contra Croácia, México e Camarões.

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A afobação dos jogadores fez aumentar a frequência dos erros – e, por consequência, deixou o time muito mais vulnerável no setor defensivo. Quem avalia as bobagens e vacilos que desencadearam os lances de perigo dos croatas, mexicanos e camaroneses percebe que, na origem desses sustos na defesa, quase sempre estão jogadas executadas com impaciência e pressa excessiva na saída de bola ou na armação de jogadas no meio. Felipão não esconde a preocupação com esse comportamento. Pelo contrário: o técnico parece apontar a ansiedade dos jogadores para resolver a partida de qualquer jeito como a origem de boa parte dos problemas do time até aqui. Segundo ele, o jogo com Camarões foi um exemplo perfeito disso: “Nós apressamos um pouco as coisas”, explicou. “Não fizemos o gol nos primeiros dez minutos, como seria o ideal. Mas mesmo depois que saímos na frente no placar, ficamos ansiosos demais. Acho que estamos querendo mostrar muito mais, e não precisa.”

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O treinador revela� um recado que tem transmitido aos atletas antes de cada jogo deste Mundial: “Calma! Com tranquilidade, a gente vai fazendo o nosso jogo e construindo o resultado.” Felipão também enxergou uma certa instabilidade nessa tentativa de “abafa” dos brasileiros sobre os adversários – e isso também tem causado problemas ao sistema defensivo. “Às vezes a gente começa fazendo a marcação por pressão mas de repente deixa isso de lado por uns dez minutos. Nesses intervalos, ficamos mais abertos e acabamos perdendo algumas jogadas lá atrás.” Se o técnico tem encontrado dificuldades para tranquilizar seus atletas e fazer o time entrar mais sereno e focado – mas sem perder a pegada, é claro -, o próximo jogo será um teste ainda maior para as habilidades de Felipão na preparação mental dos jogadores. A partida contra o Chile é de vida ou morte, e o início da fase eliminatória do torneio (para complicar, contra um adversário muito duro) tem tudo para manter a seleção com a adrenalina em níveis elevadíssimos no sábado, às 13 horas, no Mineirão.