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A Olimpíada será realizada em julho de 2021? Falta combinar com o vírus

A maioria da população não quer, mas o COI e as autoridades japonesas garantem a data

Por Sabrina Brito Atualizado em 24 dez 2020, 08h45 - Publicado em 24 dez 2020, 06h00

O que fazer com um evento que custou, entre preparativos e infraestrutura, 26 bilhões de dólares e que continua incorrendo em despesas a cada dia? Esse é o dilema de Tóquio, sede dos Jogos Olímpicos de 2020, adiados devido à pandemia até julho de 2021, uma data talvez próxima demais para uma cidade que pretende acolher milhares de atletas e espectadores. Em visita recente à capital do Japão, Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), disse acreditar que, dessa vez, as disputas não serão postergadas. Sua confiança, porém, contrasta com o desejo da população local. Uma pesquisa divulgada há alguns dias pela emissora pública NHK constatou que 32% dos japoneses defendem o cancelamento definitivo dos Jogos, enquanto 27% disseram que as disputas deveriam ocorrer conforme o planejado. É a primeira vez que o número de insatisfeitos supera o de entusiastas.

A corrente que prega o fim do sonho olímpico argumenta que o avanço da segunda onda do coronavírus põe em risco a saúde do público e dos atletas. Um novo adiamento, alegam os insatisfeitos, não seria a melhor solução, pois a estrutura construída para os Jogos não poderia ficar parada indefinidamente. A vila olímpica, usada para acomodar os atletas, deveria ser desocupada e posta à venda. Além disso, milhares de colaboradores estão sendo custeados pelo comitê organizador, elevando continuamente o nível de endividamento. O desfecho ideal, portanto, seria esquecer a Olimpíada e seguir em frente. Para o COI, isso representaria uma tragédia financeira, uma vez que 90% de suas receitas advêm dos direitos de transmissão e patrocínio.

Desde que os Jogos Olímpicos da era moderna foram instituídos, na Grécia em 1896, apenas três edições deixaram de ser realizadas: Berlim 1916, Tóquio 1940 e Londres 1944. Em todos os casos, o motivo era incontornável: conflitos armados na Europa. Nada além de duas guerras mundiais conseguiram deter o maior evento multiesportivo do planeta. Até agora.

Publicado em VEJA de 30 de dezembro de 2020, edição nº 2719

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